12 de dezembro de 2010

Conteúdo cristão


Por Zé Luís

Paulo diz que devemos absorver o que é bom daquilo que se ganha da vida, mas não creio que o apóstolo referia-se a apenas àquilo que é emitido nos púlpitos ou locais credenciadamente crentes.

O tempo que usamos diante desses locais é ínfimo em relação ao nosso cotidiano, embora conheça dezenas de pessoas que vivem em prol destes momentos. Não tiro a razão deles: é desses momentos específicos que milhares de conversões são iniciadas, e possa garantir que existe, em muitos desses que citei, o interesse honesto e sincero de trabalhar em prol do Reino.

Mas, e o restante da vida? Quando não estamos sentados em bancos – nem sempre – confortáveis, diante de um louvor – nem sempre – afinado, cantando e tocando músicas de cunho religioso, ou ouvindo pregações de gente – nem sempre - qualificada?

Quando falam em eternidade, imagino uma eterna igreja pentecostal, com miríades de almas falando em línguas estranhas, se estabacando no chão sempre que o pregador sopra no microfone celestial. Confesso: a ideia de um eterno culto com Deus pregando, me causa náuseas quando imagino diáconos repreendendo-me por eu mascar um chiclete, ou uma sobrancelha franzida quando me levantar para ir até a fonte de águas vivas, e tomar um arzinho pelas dimensões que o Grande Criador dá acesso (pense que a pregação nunca acabará, já que o “pregador” tem a eternidade para nos ensinar no modelo de um culto comum). Anjos e salvos fazem fofoca na cantina da igreja eterna, e pregadores desempregados da prosperidade não param de chatear Jesus com bajulações de gratidão, pela sua imensa misericórdia em ter permitido que eles, apesar de terem feito o que fizeram contra o seu Reino, ainda tiveram a chance de estar ali, em meio aos outros desmerecidamente salvos.

Creio que os crentes, na verdade, ficarão chocados em ver tantos antigos “ímpios” perambulando em corpos gloriosos em ruas de ouro (nem imaginam que muitos olharão para nós, salvos de carteirinha, e pensarão:”O Senhor é mesmo rico em misericórdia! Salvou até estes boçais!”)

Sinceramente concordo com Paulo: não estamos restritos a meia dúzia de pseudo-autoridades espirituais. Se nos tornamos morada do próprio Deus, por que Ele estaria restrito a assuntos ditados pelo mercado gospel?

Aos salvos é dado a capacidade – e confiança Dele, distribuindo de suas riquezas para consumo e mercado (vide parábola dos talentos) – de podermos analisar cada momento proposto pela vida, apesar das aparentes e tenebrosas situações que a vida oferece, apesar das quedas, apesar das tentações que a oração do Pai Nosso pede para que nos livre.

Só dessa forma, a Igreja passa a não se restringir ao nicho de uma comunidade, às restrições dos critérios pessoais que vão no entendimento - ou interesse – da liderança de um só homem(ou mesmo grupo). Ela passa a ser aplicada em qualquer situação por aqueles a quem já foi revelada o Caminho, a Verdade e a Vida, e estes, que vivem segundo a Fé, apesar de serem contrários às definições eclesiásticas locais, de identificaram e farão o trabalho evangelístico que faz conhecida diferença nos salvos.

Uma definição básica do que seria a palavra Eclésia, ou “igreja”:

Principal assembléia popular em Atenas , na Grécia Antiga. Era aberta para todos os cidadãos, homens, maiores de 18 anos. Foi criada por Sólon em 594 a.C. Por ela, eram eleitos os magistrados e outros funcionários públicos. No início se reunia uma vez por mês, mais tarde se encontravam de 3 a 4 vezes por mês. Os votos eram contados pelas mãos.

Jesus disse que sobre a SUA “eclésia”, que se ajunta em prol da verdade que Pedro citara, “O filho de Deus encarnado que anda entre gente simples, revelado pelo Espírito” nem o inferno em peso seria capaz de resistir ou manter qualquer preso cativo. E que se dois ou três estivessem reunidos em Seu nome, ali, Ele estaria.

Basta apenas que o Espírito esteja em uma simples conversa, sem restrições a templos credenciados: pode ser em um simples local poeirento, em um arbusto seco e comum destes de deserto, em folhas de papel impressas por uma máquina ordinária e pagã, em mesas de bar, em leitos de hospital, em conversas virtuais, em uma carta, de passagem em uma rádio ou TV, em um jumento qualquer de Balaão. Nesta , pode-se manifestar a glória, a ira, o bálsamo, a virtude, a repreensão, a resposta, o castigo.

Estarão envolvidos, tanto na recepção como na emissão, gente que erra, embora algumas jurem que não estão mais nessa categoria (a essas, se cuide: existe nelas uma tendência a pecar, querendo-se mostrar superioras. Pecam pela soberba, e tentam se fazer casta maior, nos empurrando para a falsa da camada dos inferiores).

Essa igreja não depende de dízimo, mas precisa que as mãos estejam levantadas sempre, mostrando quem são em seus votos: abstenções não serão permitidas, isso nos faz mornos, e não sobreviverão na congregação.

Mas isso é assunto para outro dia...

7 comentários:

  1. Pra algumas pessoas ainda é difícil saber a diferença entre estar na igreja e ser a igreja.
    Uma vez, ouvi uma frase q gostei muito e era mais ou menos assim:" o homem espiritual vive as coisas normais como sobrenaturais e as sobrenaturais como se fossem normais"

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  2. Grande Zé sempre me surpreendendo com seus textos... sábias palavras.

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  3. A maneira como vc escolhe as palavras é realmente abençoada e abençoadora. Excelente texto!

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. kkk tem gente q leva a sério, #medo

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  6. Eu ouvi um dia uma estoria interessante: Eu nasci há dez mil anos atrás... o pregador contou que o diabo estava sentado numa pedra na beira do caminho e que o Raul Seixas bebaço (novidade) negociou c ele a "alma" e então... o bicho lhe de umas dicas, letras de musica e tals..ou seja, o Raul e o capeta na música são a mesma pessoa, q nasceram há de 10 milanos atrás e não tem nada nesse mundo que não saibam demais..kkkk

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  7. O carinha ae em cima deveria ouvir o Heavy Metal do Senhor, do Zeca baleiro.kkkkkk!!!!

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