17 de abril de 2011

João e Babel

por Zé Luís

João Batista era um daqueles loucos insubordináveis: tinha direito legítimo ao sacerdócio no Templo, já que era descendente legítimo de um Sacerdote levita – Zacarias, mas foi trazer sua palavra profética bem longe, no deserto, onde não havia a suntuosidade dos utensílios sagrados ou a pomposidade das vestimentas talares, sinais para leigos sobre o que era legitimamente divino.

No templo, ao contrário, havia uma família no poder, intercalando o sacerdócio em Jerusalém. Naquele ano, eram Anás e Caifás os escalados, fazendo trabalhos templários, recebendo as ofertas, aspergindo o perdão do sangue de animais sobre as procissões de milhares que traziam seus dotes.

Estranhamente, Deus havia se mudado para o deserto, e lá falava através do insubordinável, do rebelde, do que se vestia não com roupas puras, mas com peles de camelo, comendo gafanhotos.

Já há algum tempo venho me debatendo sobre os cristãos e suas nuances, esse universo todo que vive em torno de comunidades - ditas - seguidoras de Cristo, e o que tudo isso significa.

O nome do site – Cristão Confuso – sempre foi algo que causa mal-estar em muitos, principalmente os que se sentem esclarecidos e tem por esse tipo de título algo que demonstre despreparo.

Na internet, você encontrará muita GENTE desse meio (gostaria de denominá-los irmãos, mas meus irmãos e irmãs eu conheço pelo nome íntimo e os chamo por ele) e pude comprovar que minha confusão não era confusão, era algo que está claro e ninguém admite: a realidade da Babel. Esses centros de reunião chamados “igreja” ainda servem ao propósito divino de nos levarem a Ele, mas desde sempre, por serem fonte de riqueza mundana que hipocritamente fingimos não ver, muitos – uma imensa maioria - se servem desse recurso a ponto de inverter o propósito do culto em reuniões com os mais divergentes propósitos: coleta de fundos – para o propósito lícito ou iliícto ao Reino(o que for), desabafos e esculachos , difusão de pensamentos pessoais na intenção de ter uma teologia que o faça importante como o “Cristianismo Confusionista” seria, se algum idiota resolvesse se projetar com esse tipo de balela.

Raros são os que se importam com o prejuízo que essas invencionices satânicas causam, promessas de que o futuro será lindo com o método “x”, sem o tratamento adequado pela realidade do que diz a Palavra. Continuarão frustrando fés, desamparando dores, deixando perdido àqueles que caem, gerando hipócritas escondidos atrás de teologias e ternos, abafando as violências domésticas e psicológicas, e fazendo definitivamente que o amor de muitos se esfrie.

“Arrependam-se!!!” - grita o louco profeta cheirando a suor e mel, o último deles, diante do povo simples que tentou o deserto por que o templo não tem a resposta, que atende ao singelo clamor, e submerge nas águas em busca de remissão, na esperança de que o Cordeiro que tira os pecados do mundo, Aquele tão aguardado, surja e os salve.

Ele virá, distante de templos humanos, ou pregará às suas portas, para que não confundam que sua Palavra está relacionada a tantos sistemas que tendem a gerar torres que pretendem nos levar ao céu. Os construtores dessas escadas para o céu, no fundo, sabem que elas ficarão inacabadas, e se confundirão entre eles, perdidos e perdendo as almas que não lhe pertencem.