4 de maio de 2011

Recado aos sonhadores

por Zé Luís

Entre um zapear de canal e outro, eis que me deparei com uma biografia rápida sobre Morgan Freeman, ator que representou Deus no filme “O Todo Poderoso”.

Entre tantos filmes – onde ele já foi motorista, assassino, presidente, chefe de academia de box – estão o reconhecimento mundial sobre sua atuação, rendendo-lhe até um Oscar em “Garota de Ouro”, e indicações como em “Conduzindo Miss Daisy”.

Na carreira desse ator, que entre os sonhos que tinha, como tentar ser piloto de avião, o mais próximo que chegou de um – antes do sucesso mundial – foi ser mecânico dos mesmos.

O interessante é que só aos cinquenta anos, Morgan alcançou o reconhecimento como ator, e hoje, com mais de setenta, continua fazendo jus a seu talento diante da crítica e do público(inclusive conseguindo brevê para pilotar aviões comerciais).

Antes disso, enfrentou divórcio, desilusões, portas fechadas que garantiam que jamais se abririam.

Homens que acreditam em sonhos e promessas só precisam aprender a esperar o seu tempo.

Certo homem, com quarenta anos, diante da injustiça contra sua gente – e sabendo que havia nele a promessa de que libertaria-os – tentou adiantar seu destino, e acabou por ter que fugir para o mais distante deserto, buscando enconder-se de tudo, inclusive da História que Deus tinha escrito para ele. Com oitenta, Moisés, casado, isolado entre as ovelhas do pasto árido, é convocado para o serviço, e não com pouca resistência concorda com o que estará a frente. Mais quarenta anos, regados a suor, dor, furia, tristeza, ingratidão, se seguiram e ele cumpre seu trabalho, conforme a vontade do Eterno.

Entre presos, José foi contado injustamente. Desde que descobrira seu destino em seus sonhos, e feliz caçoou de seus irmãos pelo futuro que o Criador o reservara, nunca mais teve paz. Seus principais carrascos estavam em casa, e o venderam como escravo, dando-lhe como morto ao seu pai.

Anos se passaram até que a promessa tomasse forma neste mundo, que os sonhos se concretizassem, e que ele fizesse o melhor uso deles, apesar das dores, das injustiças, das mágoas. José do Egito percebeu a necessidade de todas as lágrimas, elas o levavam ao seu destino tão sonhado e guardaria não só ele, mas aqueles injustos algozes, seus amados familiares de um fim a míngua.

Se você sabe que é um sonhador de Deus, é só esperar.