17 de julho de 2011

Lembra da origem da Vida enquanto está bem perto dela

Em resumo, o melhor tempo para lembrar que nossa vida está sendo criada por algo Superior é quando ainda não existem tristezas claramente perceptíveis, no tempo que nossa mocidade nos inunda de ideias de grandeza e julgamos que aquela tatuagem será sempre agradável aos olhos.

Antes da visão cansar de tanto ver a vida ser o que é, antes de deixarmos de nos admirar com as belezas e mistérios cotidianos, e tudo mais pareça apenas frio, sem graça, chato, tedioso.

Nesses dias que em breve viveremos, tudo a nossa volta será grisalho(ou mesmo calvo), enrugado, obsoleto. Pessoas nos perguntarão como foi viver no tempo de agora e com saudosa memória, contaremos pela milésima vez o noticiário que hoje a tarde chocou o país, ou como foi a reação da população quando aquele time ganhou – ou perdeu – a final do mês passado.

Difícil imaginar que os, hoje, temidos coronéis e , assim como a perigosa malandragem, estarão um dia banguelas e em fraldas geriátricas, e que aquela empresa milionária a quem todos mandam seus currículos, sonhando em ter um cargo até modesto, fechará suas portas em poucas décadas, restando dos suntuosos galpões e escritórios, escombros que o lodo fez questão de cobrir, já que não há herdeiros que se interessem por aquele imenso monturo, após anos de brigas entre herdeiros.

Pensar que as meninas nas quais sonhávamos em namorar tornaram-se tiazinhas surdas, que usam perfume de tia velha, e tem uma penteadeira no quarto, lotada de bibelôs que só juntam poeira, e só serve para os netinhos por na boca ou quebrarem.

Imaginar que um dia tudo que temos por atraente ou desejável estará caindo aos pedaços.

Resultado de investir nossas atenções em coisas ocas, e confirmar então que tudo isso que vivemos foi só vaidade, a conclusão tola de que podíamos ser felizes fazendo e dizendo coisas, sem que algo maior estivesse colocando a vida nos trilhos.

A vida, na visão de um ateu, não tem sentido: ela não passa de um trecho de um acidente orgânico onde nós estamos inseridos e precariamente conscientes. Por isso é necessário lembrar de Deus enquanto somos jovens.

Um dia, tudo nos adoecerá, e para aquele que tem mais amigos, a presença em velórios será cada vez mais frequente, até que a vez dele ser o centro das atenções chegue, e então, conheça o que todos nós tememos: que esse corpo enfim se desintegrará, sem vida, devolvendo a terra a substância da qual tomou emprestado, e lançando o suspiro de vida que um dia Deus cedeu, como presente que tão raramente sabemos usar.

Sem Deus, tudo é apenas oco.

Livre interpretação do primeiro trecho do capítulo 12 de Eclesiastes, o último capítulo.

A conclusão do livro e de que tudo que viu e viveu só terá sentido na simplicidade de lembrar que Deus ainda está lá, mesmo porque é Ele quem nos julgará, independente do que meu frágil raciocínio futuro é capaz de deduzir e garantir.

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