12 de agosto de 2011

Lei que regulariza união estável amaldiçoou cidade carioca

Quando o prefeito de Barra Mansa, Zé Renato, modificou uma lei municipal, mais especificamente a que diz respeito à Previdência Social, ele gerou uma tremenda polêmica. Com o aval dos vereadores, a partir de agora, dentre outras, homens e mulheres que comprovarem união estável com algum servidor do mesmo sexo poderão receber pensão do INSS, em caso de morte do companheiro ou companheira. A emenda ficou conhecida como ‘pensão gay’ e, ao invés de colorir as relações políticas do prefeito, causou o maior rebuliço na cidade, principalmente entre os evangélicos.

Um dos que não gostou da decisão foi o deputado estadual Edson Albertassi. Preocupado em manter a moral cristã e os bons costumes das famílias barramansenses, o parlamentar teria pressionado o prefeito a não sancionar a nova lei. Não conseguiu. E, até prova em contrário, a relação entre eles parece ter azedado de vez. Albertassi chegou até a se aproximar dos tucanos do PSDB, liberando parte do seu grupo para se filiarem ao partido de oposição a Zé Renato.

Entre os novos tucanos, estava Jackson Emerick, que quase se elegeu deputado federal pelo PRTB, com apoio de Albertassi. Antes de decidir abandonar o ninho tucano e rasgar a ficha de filiação que estava com ele, Emerick soltou um ‘Manifesto’ contra a ‘pensão gay’ e, lógico, contra o prefeito Zé Renato. Procurado pelo aQui, que queria saber do político se ele queria publicar tal ‘Manifesto’, ele enviou a seguinte resposta: “Gostaria que o jornal fizesse os evangélicos e católicos refletirem, pois estão calados diante de uma ação contrária às escrituras, feita pelo senhor José Renato. Por que se calaram? Onde está o conselho de pastores da cidade? Respeito quem optou pelo comportamento, mas pagar pensão com meu dinheiro, acho injusto”, disparou.

A indignação de Jackson é tanta que, para ele, Deus, desgostoso com as medidas ‘simpatizantes’ do prefeito Zé Renato, está se manifestando, fazendo cair sobre Barra Mansa toda a sua fúria. Conhecido na cidade por seu tradicionalismo religioso e pelas críticas ferrenhas às praticas homossexuais (uma de suas plataformas políticas enquanto candidato a deputado foi criticar a criminalização da homofobi), Jackson Emerick disse ainda que o desabamento das casas no Ano Bom pode ser obra do Altíssimo. “Quem conhece a escritura sabe que Deus é misericordioso, mas sabe que é terrível em justiça. Tenho medo que a cidade pague por isso. É só lembrar da história de Nínive, Sodoma e Gomorra. Será que os prédios no chão, do nada, sem nem estar chovendo, não podem ser um aviso?”, polemizou.

Jackson foi além. No e-mail, ele critica a postura de Zé Renato e acredita que um espírito mal pode estar rondando Barra Mansa. “Nós, evangélicos e católicos, acreditamos piamente nas escrituras sagradas. Como um governante pode criar uma lei contrária às escrituras? Maldição pra cidade é no que acreditamos. Um mundo espiritual do mal conspirando contra toda uma localidade”, profetizou, comparando Barra Mansa com Nínive, uma das cidades que, segundo relatado no livro de Jonas, era uma região merecedora de destruição. “A Bíblia chega a dizer que o pecado de Nínive era tanto que fedia nas narinas de Deus, é só ler que verá o que aconteceu com essa comunidade. Parece loucura, mas não é... é a bíblia”, finalizou, em tom condenatório.


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