17 de novembro de 2011

Se paulista fala errado?


Acho muito difícil você não conhecer a pérola acima, quando o compositor evangélico quis participar, recitando sofrida -e hilariamente - uma simples frase, tirando o pessoal da gravadora do sério (e eu ainda dou risada com isso).

O caso é que lembrei disso ao conversar com uma colega de serviço, carioca, recém chegada a São Paulo:
-Paulista gosta de tirar uma casquinha da cara de todo mundo, pensa que não tem sotaque... - disse ela.

A mais pura verdade. Falamos que gaúcho, paranaense e catarinense canta quando fala, que mineiro encurta as palavras, que nordestino tem "aperreio" no "espinhaço", que o carioca enche de "x" todas qas palavras com "s", mas não percebemos como carregamos o "r" na pronúncia de uma simples "poRta", transformando ela numa "pórrrrrrrta".

Outra coisa que comentou  - e até então, não havia me apercebido da gravidade: como falamos errado! Existe entre o pessoal daqui uma mania estranha de falar incorretamente. Minha irmã, hoje professora formada, que desde cedo tinha o hábito de conjugar plurais, verbos e pronomes na forma certa, conta que certa vez foi à padaria quase na hora de fechar e perguntou ao atendente:

-Tem pães?
-Nães... - disse o atendente debochando. Ela não se deu por vencida:
-Então, tchães...

Fazem trinta anos que ela conta a mesma história, e esse mesmo tempo que eu ainda rio, embora não seja nada engraçado quando nos tornamos reféns disso, e incorporamos essa feia forma de conversar em ambientes formais, profissionais, solenes. Imagine o vexame quando incorporamos a palavra "tipo" a cada frase que pronunciamos,  ou numa entrevista de emprego ouvir até a entrevistadora matar uma frase começando com um "...as pessoa..." "...menas coisas...""...que seje assim...".

E só quem escreve sente o peso de não perceber o quanto é influenciado pelo que ouve, ou seja: como escreve errado! Certa vez, perguntei a um amigo blogueiro - que dei liberdade para ser sincero comigo - sua opinião sobre os textos que eu escrevia:

-Zé... tu gosta de escrever?
-Cara...gosto!
-E por que não faz o favor de aprender? Tu escreve errado prá caramba!

Não é uma questão de ter ou não estudo: Creio que seja cultural mesmo, o famoso "um chops, dois pastel" tão típico nestas bandas.  As vezes me sinto culpado quando me pego insistindo em usar os plurais de forma correta. As pessoas me olham como dissessem: "sujeito arrogante..."

Abaixo, uma típica música paulistana, meu! Expressa bem, velho, o que eu "tô ti dizeno":