13 de dezembro de 2011

O que aprendi com Steve Jobs


Cristão não é só religião. Escolhi trazer esse texto só agora, tanto tempo após o falecimento dele, por crer que a estratégia deste ícone é um exemplo, no mínimo, a ser refletido

Muitos disseram o que alguém pode aprender com Steve Jobs. Mas poucas – se alguma – dessas pessoas estiveram do lado de dentro e tiveram a experiência em primeira pessoa do que era trabalhar com ele. Eu não quero que lição alguma seja perdida ou esquecida. Então, aqui está minha lista das 12 principais lições que eu aprendi com Steve Jobs.

Especialistas são perdidos

Jornalistas, analistas, consultores, banqueiros e gurus tidos como experts não sabem “fazer” e, por isso, eles “aconselham”. Eles conseguem dizer o que está errado com o seu produto, mas são incapazes de fazê-lo melhor. Eles podem dizer como você deve vender algo, mas não conseguem vendê-lo por conta própria. Eles podem dizer como você pode criar equipes excelentes, mas eles mesmos apenas gerenciam uma secretária. Por exemplo, especialistas nos disseram que as duas maiores deficiências o Macintosh em meados dos anos 1980 eram a falta de um driver para impressora margarida [que, ao contrário das impressoras matriciais, imprime textos em alta qualidade por utilizar uma “roda” que gira até posicionar os caracteres pretendidos em frente de um pequeno martelo que, acionado, imprime-os no papel] e do Lotus 1-2-3 [uma das primeiras planilhas eletrônicas disponíveis no mercado e voltada exclusivamente para PCs]. Outro conselho que valia ouro dado pelos especialistas foi para comprar a Compaq. Ou seja: ouça o que os especialistas dizem, mas nem sempre dê ouvidos a eles.

Consumidores não podem dizer a você o que eles precisam

“Pesquisa de mercado da Apple” é um paradoxo. Na Apple, discussão de grupo era o hemisfério direito do cérebro de Steve conversando com o esquerdo. Se você perguntar aos consumidores o que eles querem, eles dirão “melhor, mais rápido e mais barato” – ou seja, melhor do mesmo, e não mudanças revolucionárias. Eles apenas conseguem descrever seus desejos utilizando termos que eles já estão usando. Na época da apresentação do Macintosh, todas as pessoas diziam desejar que ele fosse uma máquina com um sistema operacional MS-DOS melhor, mais rápido e mais barato. A maior riqueza para um empreendedor iniciante no mercado de tecnologia é criar o produto que ele próprio queira usar. É o que Steve e Woz [Steve Wozniak, cofundador da Apple] faziam.

Pule uma etapa

Grandes vitórias acontecem quando você vai além da mesmice. As melhores empresas de impressoras margarida estavam apresentando novas fontes em diversos tamanhos. A Apple foi um passo além: apresentou a impressora a laser. Pense em coletores de gelo, fábricas de gelo e empresas que fazem geladeiras. Gelo 1.0, 2.0 e 3.0. Você ainda está coletando gelo de um lago congelado durante o inverno?

Os maiores desafios geram os melhores trabalhos

Eu vivia com medo de que Steve dissesse que eu, ou meu trabalho, era uma merda. Este medo era um grande desafio. Competir com a IBM e depois com a Microsoft era um grande desafio. Mudar o mundo era um grande desafio. Os funcionários da Apple – que trabalharam antes e depois de mim – e eu fizemos o nosso melhor porque tínhamos que fazer o melhor trabalho para encarar os grandes desafios.

O design conta

Steve deixava as pessoas loucas com suas exigências no campo do design – alguns tons escuros não eram escuros o bastante. Meros mortais pensam que preto é preto, e que uma lata de lixo é uma lata de lixo. Steve era tão perfeccionista – um perfeccionista além da cúpula do trovão – que, vejam só!, ele tinha razão: algumas pessoas ligam para o design e muitas pessoas pelo menos o percebem. Talvez não todo mundo, mas as pessoas importantes.

Não dá pra errar com fontes e elementos gráficos grandes


Repare nos slides de Steve. As fontes têm mais de 2 centímetros. Sempre há uma grande imagem ou gráfico na tela. Veja os slides de outro palestrante da área de tecnologia, mesmo um que já tenha visto Steve em ação. A fonte é menor que 3 milímetros e não há gráficos. Muitas pessoas dizem que Steve era o maior apresentador de produtos do mundo. Por que será que mais pessoas não copiam o seu estilo?

Mudar de ideia é sinal de inteligência

Quando a Apple colocou o iPhone no mercado não havia coisa alguma parecida com aplicativos. Aplicativos, Steve decretou, eram algo ruim porque você nunca sabe o que eles podem fazer com seu telefone. Os aplicativos web para Safari [browser da Apple] eram o caminho escolhido até seis meses mais tarde, quando Steve decidiu, ou alguém o convenceu, de que aplicativos em geral eram o caminho certo – o que é óbvio! A Apple percorreu um longo trajeto em um curto espaço de tempo, e foi de aplicativos web para Safari ao “there’s an app for that” [“existe um aplicativo para isso”, famosa frase usada nas propagandas do iPhone].

“Valor” é diferente de “preço”

Ai de vocês que decidem tudo baseados no preço. Pior ainda: ai de vocês que buscam uma concorrência baseada em preço. Preço não é tudo o que importa – o imprescindível, pelo menos para algumas pessoas, é o valor. E valor leva em consideração treinamento, suporte e a alegria intrínseca de usar a melhor ferramenta já feita. É bastante seguro dizer que ninguém compra os produtos da Apple por conta de seus preços baixos.

Profissionais classe A contratam profissionais classe A+

De 2008 a 2011, a Apple aumentou seu quadro de funcionários em 45,6%...

...e cada um dos empregados rendeu à empresa quase três vezes mais em lucros.

O segredo: profissionais classe A
Na verdade, Steve acreditava que profissionais classe A contratam profissionais classe A – ou seja, pessoas que sejam tão boas quanto elas próprias. Eu aperfeiçoo isso levemente: minha teoria é que profissionais classe A contratam pessoas melhores que elas próprias. Por outro lado, é claro que profissionais classe B contratam profissionais classe C – para que se sintam superiores. E profissionais classe C contratam profissionais classe D. Se você começar a contratar profissionais classe B, pode esperar para sua empresa o que Steve chamava de “explosão de palhaços” [“the bozo explosion”, expressão utilizada para se referir à contratação de profissionais ruins por conta de um CEO igualmente incompetente].

CEOs de verdade fazem demonstrações

Steve Jobs conseguia demonstrar um tocador de música, um tablet, um telefone e um Mac duas ou três vezes por ano com milhões de pessoas assistindo. E por que será que muitos CEOs chamam seus vice-presidentes de engenharia para fazerem demonstrações de produtos? Talvez porque queiram mostrar que há um esforço de equipe em jogo. Talvez. Mas é mais provável que seja porque o CEO não saiba o que sua empresa anda fazendo bem o bastante para explicar. Isso não é patético?

CEOs de verdade colocam produtos no mercado

Apesar de todo o seu perfeccionismo, Steve lançava produtos que talvez não fossem perfeitos sempre, mas na maior parte do tempo eram bons o bastante. A lição é que Steve não fazia remendos apenas por fazer – ele tinha um objetivo: lançar um produto e conseguir a dominação mundial de mercados existentes ou a criação de outros novos. A Apple é uma empresa centrada na engenharia, não em pesquisa. O que você prefere: Apple ou Centro de Pesquisas de Palo Alto, da Xerox?

Comércio se resume a fornecer produtos únicos e valiosos

Parece velho, ultrapassado. Mas foi o embrião de uma revolução que se iniciou há uma década
Pense numa matriz 2 x 2. O eixo vertical mede como o seu produto se diferencia da concorrência. O eixo horizontal mede o valor de seu produto. Inferior direito: valioso, mas não único, pois você tem que competir em preço. Superior esquerdo: único, mas não valioso, pois você tem um mercado que não existe. Inferior esquerdo: não é único e não tem valor – é um “palhaço”. Superior direito: único e valioso – é aqui que você cria margem, dinheiro e história. Por exemplo, o iPod foi único e valioso porque era a única maneira legal, barata e fácil de baixar música dos seis maiores selos de música.

BÔNUS: Você deve acreditar em algumas coisas para que elas sejam vistas

Quando você dá um passo além, desafia ou ignora especialistas, vai de encontro aos desafios, fica obcecado por design e mantém o foco no valor, você precisará convencer as pessoas a acreditarem no que você está fazendo para que elas vejam seus esforços darem fruntos. As pessoas precisaram acreditar no Macintosh para vê-lo se tornar real. O mesmo aconteceu com iPod, iPhone e iPad. Nem todos acreditarão em você – tudo bem com isso. Mas o ponto inicial de mudar o mundo é mudando umas poucas mentes. Esta é a maior de todas as lições que eu aprendi com Steve.

Nota do editor: traduzido do artigo “What I learned from Steve Jobs“, de Guy Kawasaki, com a permissão do autor.

Visto no Papo de Homem


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