6 de janeiro de 2012

"A internet não é um direito humano" afirma o criador da mesma


Vint Cerf conhece bem a internet. Ele cocriou sua versão militar embrionária, e agora serve ao Google como “evangelista da internet”. Por isso deve causar surpresa em todos sua declaração de que a internet não é um direito humano. Mas ele está certo.

O papo de Cerf, que merece uma leitura completa no NYT, chega a seguinte conclusão: direitos humanos são coisas fundamentais para nossa sobrevivência como humanos. Coisas que permitem não só que sobrevivamos, mas que evoluamos como espécie: água limpa, não ser estuprado, expressar nossos pensamentos sem represália. Tais direitos poderiam ser escritos em pedras e fariam sentido a 500 anos atrás e daqui a 500 anos também. Por quê? Porque eles não têm nada a ver com tecnologia — o que também não significa que a tecnologia não é uma parte importante do desenho todo:

A tecnologia é um permitidor de direitos, não um direito em si… É um erro colocar qualquer tecnologia nesta categoria exaltada, fazendo com que, com o tempo, valorizemos as coisas erradas. Por exemplo, em uma época, se você não tivesse um cavalo, era difícil ter uma vida justa. Mas o importante neste caso era o direito de ter uma vida justa, e não o direito a ter um cavalo. Hoje, se nós tivéssemos o direito de ter um cavalo, eu não sei onde o colocaria.

Na mosca. A internet é atualmente uma parte indispensável na hora de permitir o discurso livre — mas ela não é o discurso livre. Algum dia, não haverá mais internet, porque usaremos algo melhor do que ela. E olhar para trás e ver que erguemos tal ideia ao mesmo plano de vida, liberdade e outras coisas realmente importantes será bem constrangedor.

E isso não significa que devemos desistir de tornar a internet ainda mais incrível e acessível, diz Cerf:

Melhorar a internet é só uma das propostas que, apesar de ser bem importante, existem para melhorar a condição humana. Deve ser feita com apreciação aos direitos humanos e cívicos que precisam de proteção — sem partir do pressuposto de que o acesso em si é um direito.

É tudo uma questão de prioridades. Vamos nos preocupar com pessoas que estão realmente morrendo de fome antes de pensarmos em oferecer um Twitter para que elas falem sobre isso.

Indicação de Eder Castro -  Via Gizmodo

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