26 de agosto de 2012

Brigar na internet? Ô troço bão, sô!!! rsrsrs



O artigo abaixo, do Life's Little Mysteries, traduzido por Guilherme de Souza e publicado no HypeScience no mês passado, muito provavelmente foi inspirado em pessoas que adoram brigar por qualquer coisa em blogs e fóruns da internet.

Embora esta possibilidade não seja explicitamente abordada no artigo, ouso afirmar - entretanto - que uma das causas desse comportamento é o fato de que muita gente resolve descarregar no meio eletrônico a frustração de toda uma vida (a sua), e os receptáculos de tanta amargura são seus inimigos virtuais e imaginários.

Eis o artigo:

Por que as pessoas adoram brigar na internet?

Você provavelmente já viu (ou, quem sabe, já começou) discussões “acaloradas” em seções de comentários de sites ou em redes sociais. No ambiente virtual, muita gente gosta de “soltar os cachorros” e expor seus pontos de vista com sarcasmo e agressividade.

Para alguns especialistas, a prática não apenas faz pouco sentido, como também pode atrapalhar o convívio social cara-a-cara. “Ter uma forte experiência emocional que não acaba de modo saudável não pode ser bom para você”, diz o professor de psicologia Art Markman, da Universidade do Texas em Austin (EUA).

Fundamentos da discórdia

Ele apontou algumas possíveis razões por trás das brigas virtuais. O primeiro seria o anonimato – mesmo quando usamos perfis reais, muitas vezes o “adversário” provavelmente nem nos conhece direito. O segundo fator seria a distância, que deixa as pessoas mais à vontade para brigar. Por fim, é mais fácil “destilar veneno” com escrita do que com a fala – há séculos já era comum as pessoas publicarem artigos ou cartas em jornais atacando seus adversários.

Além da agressividade, outro elemento impressionante em alguns debates virtuais é o tamanho dos comentários. Como as brigas não acontecem exatamente em tempo real, a pessoa tem mais tempo para pensar e dar uma resposta – e, ao invés de se acalmar, muitas vezes acaba “refinando” a agressividade.

Para o professor de Ética em Jornalismo Edward Wasserman, da Universidade de Washington e Lee (EUA), há maus exemplos na mídia que reforçam esse tipo de comportamento – em artigo recente, ele cita apresentadores de televisão dos Estados Unidos famosos por seu estilo agressivo. “As pessoas, de modo compreensível, concluem que a ira é a linguagem da política e que é assim que se discutem ideias públicas”, escreveu Wasserman.

Como manter a cabeça no lugar

Embora a internet ajude a criar contato entre pessoas que, de outra maneira, jamais se conheceriam, ela muitas vezes não dá suporte a certos elementos fundamentais da comunicação, como os gestos, o tom de voz e o contato visual.

“Quanto maior a distância do diálogo cara-a-cara, em tempo real, mais difícil é se comunicar”, apontou Markman. Ele acredita que a mídia não deveria reforçar a ideia de que agressividade é boa para discussões. “Mesmo que alguém exponha uma ideia legítima, se usar um tom agressivo, está ferindo a natureza da discussão e incentivando outras pessoas a responder da mesma forma”.

Para os usuários “esquentados”, ele sugere que criem o hábito de debater ideias pessoalmente – o que incentiva o exercício da paciência na hora de expor pontos de vista. Se eles praticarem isso, terão mais facilidade para dialogar no meio virtual sem depender de “veneno” para dizer o que pensam.

Lido no excelente O contorno da sombra