8 de setembro de 2012

Conforme está escrito

por Zé Luís


Nos dias de hoje, não é raro ver e ouvir testemunhos fantásticos nas igrejas, em cultos televisionados – que pela boa propaganda, acabam lotados de gente que quer as coisas prometidas pelo pastor a todo aquele que for fiel em suas contribuições.

Sejamos francos: esses pastores não buscam ovelhas, captam recursos para manter suas instituições financeiras, projetando na mídia, a propaganda eficaz: “Deus faz quando EU mando”. Usando ainda mais de sinceridade, essas pessoas, na maioria, vão aos locais chamados templos de adoração para conseguir favores ou dotes. Tanto faz ser estão pedindo a Deus ou a um vereador: o que importa é alcançar o objeto desejado, seja ele saúde, amor, dinheiro, profissão, sucesso. Na maioria das vezes, nos templos – ditos – de adoração, quando isso existe, é um desejo mercenário de toma-lá-da-cá.

A propaganda ainda é a arma do negócio: indigentes tornando-se empresários milionários do dia para noite, curas diárias de doenças raríssimas – e outras nem tão raras, casamentos e relações restituídas sem diálogo, apenas com a oração de um estranho que nem se lembrou de perguntar onde era o problema daquele casal, demônios dando entrevista, reforçando ainda mais que aquela igreja – em específico, e não qualquer igreja - tem poder para conseguir que um diabo fale verdades diante de uma plateia (como não fosse ele o pai da mentira).

Compreenda: é claro que existe gente sincera nesses lugares, gente buscando fazer a vida andar nos trilhos do bem, gente que procura estar com sua consciência limpa... assim como em todas religiões, e fora da crença religiosa, ou mesmo nos presídios ou entre a bandidagem.

Mas tanto nesse ou naquele lugar, ainda existe um “algo” perambulando – na maioria das vezes – incógnito, desapercebido pelos homens, indesejado por muitos e absurdamente desconhecido.

Ele está desde o começo das eras, criando e recriando, gerando e mantendo.

Ela pensa, vê, está consciente, lúcido, controlando cada ato natural a sua volta. Embora isso seja claramente mostras de seu poder, Ele (com letra maiúscula mesmo, já fica claro de Quem falamos) controla com exatidão sua força, sem que ela nos esmague ou engula como incêndio sobre a palha. O segredo do poder extremo – e único - é o controle extremos sobre este, dizendo para avalanche: até aqui você vai, e daqui você não passa”, “Não engula a Terra, Sol. Mantenha-se pelos séculos como luminar...”.

Sobre esse poder, profetas suspiraram a respeito, revelando ao povo - que o esperava - que um dia Ele moraria em nós, tornando-nos templo, apesar da imundice que permeia nossa alma. Essas gentes sonharam e suspirava pelo dia em que seriam merecedoras de ter o Criador de Universos dentro de nossa própria alma. Dia que nunca chegou. Não somos merecedores e nunca seriamos.

Então, Ele envia a Ele, para que por Ele pudêssemos possuir sua Essência em nosso viver. “Bom demais para ser verdade” seria a tradução mais exata para “Evangelho”.

Não mereceríamos, mas Ele, que morre sem ter os quesitos para a morte (já que só os que pecam devem morrer, e Deus, como homem, não pecou), quebra a regra, e tem então, livre escolha sobre quem será salvo.

Desde então, os exilados do inferno e seus ajudantes (muitos desses, nem sabem conscientemente que o são) procuram ao derredor, para tragar com suas mentiras todo aquele que pensar em beber dessa fonte de Poder, usam da ganância humana latente, confundindo a potência do seu Espírito com um simples realizador de desejos mesquinhos, demônios empestearam a terra com a ideia que o Santo Espírito nada mais é que mais um efeito da Natureza, e os homens, em seu egoísmo, abraçaram a mentira alegremente, em nome de seus projetos mais mesquinhos.

Mas então, em certo momento, é dado ouvidos a esse Eterno Espírito, anterior ao espirito profundo da terra – citado pelo inquisidor de Ivan Karamazov – e esse, por ser Deus, tem todo o Poder para ir e parar, saber até onde vai o pensamento, e onde ele deve se dispersar.

Nesse momento, quando o Sagrado incompreensivelmente visita o homem, passamos de criação para espécie divina – não por sermos, mas pelo que nos habita -e começamos a ver, gradativa e involuntária, a restituição de nossa humanidade, a entender o que eramos antes da queda. É quando as coisas velhas começam a ser vistas como coisas velhas, e finamente um mundo novo se desenha.

Alguns, que passaram a vida falando desse Espírito, nunca o tiveram, e a reconstrução perceptível de sua alma, embora impressionante, foi superficial, baseado nas regras adestradas, que lutou a vida toda para manter em prática, mesmo não tendo em seu íntimo a Força para fazer essas coisas acontecerem de forma natural.

O que ainda me emociona é a reconstrução dessas pessoas que permitiram receber o Espírito Sagrado, aquele que concatena a Bíblia inteira, aquele que é tudo em todos, os que nos torna um, e que esse mundo nunca compreenderá.

Nós, que já o recebemos – e todos que compreendem isso, sempre lamentam por ser tão tardiamente o corrido dessa compreensão – vamos às lágrimas ao ver que Ele ainda trabalha nas transformações das almas mortas a nossa volta: O que abandona o vício, sua soberba, egoísmo, admitiu sua maldade de joelhos e em lágrimas, sem medo da dor que é arrancar velhas cascas podres do ser.

Choramos por ver que um dia passamos por isso, e que existe a certeza de que, apesar das canalhices dos que se dizem “cristãos” - e não o são, já que em nada parecem com Cristo – apesar do nome de um “jesus” -com letra minúscula, por ser genérico e servir às necessidades de homens e organizações – o Espírito aproveita o coração daquele que está ali por Ele e o direciona, e no devido tempo, o salvará de forma inexplicável.

Serão esses “enganados” que disciplinarão, julgarão e - quem sabe? - evangelizarão essa raça de víboras que levaram o Evangelho à vergonha que vemos hoje.

Como discípulo típico, as vezes, sinto vontade de pedir a Jesus que mande fogo sobre essa ou aquela entidade, para que pare de blasfemar contra o amor de Deus, mas não é para isso – ainda – que o Espírito permanece na terra.

Um dia Ele se retirará dessa existência, não para atender às orações daqueles que tanto querem viver conforme suas estratégias pessoais, mas porque está escrito que O faria.

Nesse dia, entenderão o que fizeram, e lamentarão. Pedirão para que a morte seja capaz de interromper seus pensamentos, e só então saberão que o suicídio não interrompe nada, e que a Justiça será cumprida, conforme está escrito.
   

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