20 de outubro de 2012

AMIZADE VERDADEIRA! ISSO EXISTE?

por David Andrade

O ultimo texto que escrevi (Crente a moda antiga) causou diversos sentimentos em quem o leu, mas neste  - assim como naquele  - desejo pura e simplesmente levar pessoas a pensar.

Ainda baseado em ser alguém “a moda antiga”, e não entenda por moda antiga ser quadrado ou saudosista, mas sim ser alguém que, apesar dos poucos anos de janela, já viu e viveu o suficiente para falar com propriedade sobre as diferenças do que foi, esta sendo e será o convívio relacional entre seres humanos.

E pensando nisso, resolvi discorrer um pouco sobre a amizade verdadeira e seu significado, sobre a amizade que transcende toda necessidade de explicação ou lógica, que acontece e vai acontecendo e nada nem ninguém pode mudar isso (quando digo ninguém, digo ninguém de carne e osso). A amizade na minha vida sempre teve um significado impar, a ponto de que pudesse dentro da minha humilde compreensão separar pessoas por amigos, colegas, conhecidos e outros...rsrs.

Infelizmente com o avanço tecnológico o que temos visto é o incrível aumento dos relacionamentos virtuais, nada contra, mas este não pode substituir o relacionamento pessoal de proximidade física, e é exatamente sobre relacionamentos duradouros, próximos (e entenda por próximos mesmo quando existe distância geográfica), e verdadeiros que quero falar; em contraste com a falta da “manutenção” desse relacionamento que se tem visto por nossos dias; dias que parecem nos conduzir cada vez mais para a falta de relacionamento que o contrario, a falta de consideração e valorização deste relacionamento do que se deveria. Mas considerando que além das experiências vividas tem a questão de vai muito alem disso, que é a questão bíblica, a bíblia nos diz algo a respeito da amizade? Ensina-nos como devemos nos portar e quando devemos estar de olhos bem abertos quanto a consideração e valorização da verdadeira amizade em contraste com a falsa? A resposta é sim, a bíblia nos ensina alguma coisa sobre amizade, mas eu não quero aqui montar uma “pregação” sobre amizade, apenas discorrer um pensamento coerente com a bíblia.

Pense bem, o quanto você da valor em suas amizades? O quanto você leva em consideração quem “corre junto com você”? (termo usado pela juventude aqui do contexto que vivo). Qual o critério que você usa para definir com quem você vai andar? Ou então qual o critério que você usa para definir com quem você vai deixar de andar?

Será que às vezes não ficamos tão cegos pelo desejo de “liberdade” de fazer o que bem entendemos, pois “sou dono do meu nariz e ninguém tem nada a ver com a minha vida” (o que é bem verdade, em partes), que não paramos para raciocinar os critérios usados? Será que o raciocínio de uma pessoa inteligente fica tão dificultado pelo desejo dessa falsa liberdade que ela se entrega a uma mudança de rumo tão radical que é capaz de mudar sua vida e daqueles que a cercam? Mudança essa que poderia ser evitada ou desnecessária se a escolha fosse outra, talvez a mais sábia.

O problema é que tem momentos na vida em que estamos de “saco cheio” (perdoe-me o vocabulário, mas não achei outra palavra) e pensamos ser melhor mudar tudo: mudar o rumo, mudar de amigos, mudar de igreja, mudar de cidade; porque não mudar de estado ou de país?

A minha experiência diz que não é bem assim que as coisas funcionam, mas eu não sirvo de base, acontece que a bíblia diz que as coisas não são bem assim também, e ai sim, podemos tomar como base, por exemplo, 1 Co 15:33 Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes... entendo que Paulo estava neste contexto falando sobre ressurreição e tem todo o seu contexto de acreditar na verdade de Deus e não nos falastrões, mas pense, com quem você tem andado? Será que neste meio que você tem se prontificado a caminhar junto não existem “más conversações que corrompem os bons costumes”? E bons costumes aqui não se trata do famigerado “usos e costumes” que existem em algumas igrejas.

Já que estou falando sobre o problema da má escolha, veja o que diz provérbios: 27:6 Leais são as feridas feitas pelo amigo, mas os beijos do inimigo são enganosos.
Pare e pense um pouco! Feridas feitas pelo amigo? Como assim, um amigo que fere é amigo? Nesse caso está se tratando do amigo que é verdadeiro mesmo quando isso vá ferir, pois a mentira que consola é doutrina do inimigo de nossas almas e não de Deus, que nunca nega a verdade; em contrapartida o inimigo muitas vezes é aquele que te alisa pra parecer o bonzinho da estória (no caso de provérbios até beija... rs).

Mas como diria um sábio amigo, “nada como um dia após o outro”, e provérbios também vai dizer isso:
PV 28:23 O que repreende o homem gozará depois mais amizade do que aquele que lisonjeia com a língua.

Ou seja, o reconhecimento da dureza que foi usada no trato para o bem da pessoa só será feito futuramente, e os que tentam se passar por bonzinhos terão suas máscaras caídas.

Apontado o problema, vamos pensar então no critério para definir uma boa amizade, definir com quem eu vou caminhar (correr junto), definir com quem eu vou rir e chorar, com quem eu vou suportar as dificuldades da vida, tomar “fumo” e continuar amigo, quem eu vou defender mesmo quando todos disserem que ele esta errado, quem terá o titulo de meu amigo! Deixe-me fazer uma ressalva de autodefesa: não estou dizendo ser a única forma de pensar a amizade, muito menos dizendo que existe uma receita para dar tudo certo, apenas apontando um pensamento.

Eu acredito no critério do tempo, no critério do conhecimento, no critério de pesar prós e contras. A bíblia nos leva a tratarmos entre si como irmãos, mas pense comigo na questão de irmãos de sangue, na sabedoria popular muitas vezes citada “nossa, fulano e ciclano são irmãos, mas são tão unidos né, são bem amigos”, o mesmo conceito para pais e filhos, dizendo “nossa, olha como o fulano trata o seu filho, um verdadeiro amigão”, e quantos outros exemplos eu poderia citar a respeito da importância da amizade, que infelizmente nem todos conseguem avaliar e prezar.

Logo, se pelo conceito popular (não sou a favor do “Vox populi, Vox Dei”) chega-se a um conceito que ser amigo é ser próximo, é ser leal, é estar junto; é união, é entrega; é conceito importante para pai com filho, irmão com irmão. Por que não será importante no convívio de pessoas que não são da mesma família consanguínea? A resposta é sim, é bastante importante a amizade para uma vida que passará por aflições (João 16:33), e aqui cabem dois versos de provérbios PV 18:24 O homem de muitos amigos deve mostrar-se amigável, mas há um amigo mais chegado do que um irmão. PV 17: 17 Em todo o tempo ama o amigo e para a hora da angústia nasce o irmão.

Amigo mais chegado que irmão e na angustia o amigo se torna irmão, parece paradoxo não? Mas não, é coerente e profundo, pense um pouco.

Finalizando, pois já escrevi demais, quero dizer que o maior exemplo de amizade está em Cristo que declarou só isso:
João 15: 12 a 15
12 O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.
13 Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.
14 Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.
15 Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.

Eu acredito que essa declaração de Cristo encerra o pensamento, pois quando Ele fala, eu me calo, escuto, e obedeço, pois assim como disse João batista, “importa que Ele cresça e eu diminua!”
Pense, repense e avalie, pois o conceito secular é que tudo é passageiro, mas e o conceito de Cristo, que o amor maior é dar a vida pelos amigos, isso é passageiro?
Isso é só a ponta do iceberg, raciocine!