9 de outubro de 2012

Como seus filhos brincam de casinha?

Mais uma tirinha brilhante do Coala

por Zé Luís

Lendo entrevista de Gabriel Garcia Marques sobre as estórias contidas no livro "Cem anos de solidão", ele insistia em dizer que muito daquilo ali contido, na verdade, era história, incluindo os fantasmas dos personagens, perambulando nas casas antigas da fictícia Macondo.

Na verdade, é impossível não contaminar as histórias que contamos sem nossas vivências, nossa formação, o registro de nossas memórias. Não tem como escapar disso.

Alguns de nós até conseguimos pregar o que não vive, mas na intimidade, longe daquela hora e meia  de culto, distante da máscara que usamos entre os que nos admiram (ou que pensamos que nos admiram), está realmente quem somos: aquele que só nosso cônjuge e filhos conhece, aquele que só seus pais sabem quem é: o mal-humorado, o boca-suja, o fofoqueiro, o interesseiro, o que não tem nada de romântico ou sensual, aquele que só você conhece, o que se ira e ameaça com violência.

"Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus "
(Matheus 7. 16-17)

Nossos filhos falarão o que eles ouvem, não que ensinamos a falar.

É claro que cada um nasce com um gênio, com um humor, com uma atitude, e errarão por si mesmo, mesmo que você se empenhe ao máximo.

Mas o idioma, o vocabulário, as opções de escolha a serem tomadas diante do universo que você apresentará para ele está em suas mãos. Você dará as opções, e caberá a ele, dentro dessas escolhas, seguir o caminho.

A tirinha ilustra bem isso.

Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.
(Provérbios - 22.6)