9 de dezembro de 2012

"A igreja fracassou"? 13 possíveis razões

por Nathanael Miranda Baldez

Vejo muitas coisas no Centro da Cidade, mas algo hoje me chamou atenção. Um jovem com uma blusa e uma faixa que dizia:
"A IGREJA FRACASSOU".
Às vezes amanheço um triunfalista da igreja que vê os diversos ângulos e progressos da fé cristã, outras vezes acordo com uma conclusão bem próxima deste jovem e de sua faixa. Mas me pergunto: teríamos fracassado?

Alguém diria que a estrutura fracassou, mas o espírito da igreja é o mesmo e é bom, não creio nisso, não creio que uma igreja e uma Igreja é resposta decente, não gosto de soluções fáceis e obvias demais para serem suficientes, eu creio em gente, eu creio em uma comunhão orgânica que recupera e congrega corpo, alma e espírito. Só creio em uma igreja: Ela é única, ela santa, é universal, é apostólica, ela é matéria, é espírito, é o pão e a reconciliação.

Dito isto, penso, o problema não está na estrutura, o problema está em nós, por um motivo apenas, tem gente nessas estruturas, elas não são autônomas, não se governam. Então voltamos à questão do fracasso. O Fracasso pressupõe uma expectativa, no nosso caso, uma missão ou propósito. Como igreja, somos antes de tudo uma comunidade de fracassados confessos, reunidos sob a égide daquele que sofreu o fracasso da morte e ressuscitou vitorioso. Uma vez acolhidos por ele, somos comissionados a buscar outros fracassados como nós, e lhes apresentar a vida após o fracasso.

O problema reside no fato de que em nossa caminhada, esquecemo-nos do nosso fracasso e perdemos a perspectiva de quem de fato venceu a morte e do quão fracassados somos, então fracassamos em nossa missão, pois impedimos que os outros fracassados vençam.

Então, nosso fracasso ocorre quando:

1 – Perdemos a dimensão e o compromisso com a Palavra de Deus;

2 – Acreditamos que o compromisso missional é para poucos chamados;

3 – Acumulamos recursos e engordamos contas bancárias que jamais serão compartilhadas com quem necessita;

4 – Desenvolvemos uma relação unilateral com Deus, onde se o ama, mas o próximo está distante.

5 – Aceitamos no seio da igreja pecados como mentira, gula, avareza e soberba, mas condenamos homossexuais, viciados em drogas, ou qualquer outro pecado que “apareça”.

6 – Negamos a nossa família em prol de atividades religiosas;

7 – Acreditamos em tudo o que é “sobrenatural”, menos na Palavra de Deus;

8 - Entendemos o culto como uma experiência individual com o foco em receber algo;

9 – Entendemos que a missão trata-se de projetos evangelísticos pontuais;

10 – Consideramos que artistas gospel são intocáveis e referenciais absolutos;

11 – Pregamos que: Evangelizar = Convidar para o culto;

12 – Julgamo-nos superiores a quem quer que seja;

13 – Vemos nossa opinião como a verdade incontestável.

A lista poderia continuar, mas paro para dizer a vitória dos fracassados: O penhor do fracasso é a Graça, Graça de Cristo, Graça com Cristo, Graça que ama, que se indigna, se inconforma, Graça que está em Deus, que está no Cabeça, graça que move o corpo, o sangue da Igreja, Graça que não fracassa.

Não sei se verei o jovem e sua faixa novamente, se sim, me atreverei a perguntar: “Por que?”
Se somos todos homens e mulheres sob o fracasso do pecado, só nos resta a esperança de um Reino sem fim, sem dor, sem choro, sem morte, sem fracassados, onde todos são um e um é a semelhança incorruptível do santo Filho de Deus.

O William é leitor do blog e compartilhou o texto do autor acima. Não achei a página do Facebook dele, mas o endereço da comunidade onde ele congrega foi linkada.

Um comentário:

  1. PoiZé...
    Que lista!
    E, de fato, essa lista poderia se estender, pois os vícios são muitos e inovados com frequência.
    Esses terríveis vícios religiosos que, sutil e gradativamente, foram distorcendo o sentido de Evangelizar, de levar a Boa Nova. Seduzindo-nos e impelindo-nos a levantar a bandeira inglória do 'CristianISMO'. Nas formas mais variadas, conforme a denominação 'cristã'.
    :(

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