10 de janeiro de 2013

A moralidade sem Deus

O texto abaixo foi visto através de um mail-listing, os Christian Nerds. O autor é o Alexandre Correia, mas não encontrei nenhum link que pudesse indicá-lo. Caso consiga algum perfil no Facebook, coloco aqui.

Um dos argumentos [ateístas] para a moralidade sem Deus, é que ela é advinda da Natureza, do processo evolutivo: temos valores morais porque é vantajoso em termos de sobrevivência ser moral.

Mas será mesmo?

O instinto de sobrevivência e auto-preservação é uma das coisas mais fortes nos seres vivos. E a disputa por recursos é um dos principais elementos da luta pela sobrevivência. Vamos ver dois exemplos com pássaros:


No primeiro caso, o filhote mais velho espera os pais saírem para atacar o irmão menor. Com o tempo o menor passa a ser rejeitado pelos pais e acaba morrendo de fome, sede ou dos ferimentos. Toda comida e cuidado dos pais então, passa a ser só do agressor.

No segundo, um pássaro altamente especializado, invade ninhos alheios e furtivamente mata os filhotes de seus hospedeiros para ser alimentado pelos seus "pais adotivos".

Ora! se o naturalismo é verdade, esses pássaros, daqui a milhões de anos, evoluirão para seres conscientes e inteligentes, e as bases morais dessa hipotética sociedade serão o bullying, a trapaça e o assassinato. Afinal, foi assim que a espécie deles sobreviveu e prosperou evolutivamente.

E quem seremos nós, produtos de um processo evolutivo diferente, para julgá-los quando isso acontecer? (imaginando que ainda existiremos naquele hipotético tempo)

Voltando para nós, humanos, nossos valores morais - como altruísmo, verdade, justiça, caridade, etc.. -  então não são certos -  no sentido último da palavra -  apenas nos parecem certos, essa consciência que chegou até nós via herança genética (ou pelos memes de Dawkins, rs).

Desta maneira, o naturalismo, ainda que explicasse nossa moral quanto a sua origem, não seria o suficiente para validá-la como verdadeira ou absoluta, visto que uma espécie diferente poderia desenvolver valores completamente diferentes dos nossos.

(Especulando)Poderia-se então criar um argumento formal da seguinte maneira, seguindo a seguinte linha de raciocínio:

1. Nossos valores morais são produtos da Evolução. 
2. A Evolução é um processo cego e movido pelo acaso, por fatores ambientais e variações genéticas aleatórias ao longo de milhões de anos.
3. Portanto, a Moral é apenas obra do acaso.
4. Espécies diferentes tem processos evolutivos diferentes.
5.Cada espécie desenvolverá sua própria moral.
6.Não existe moral absoluta

Portanto, Dostoevsky, através do personagem Ivan Karamazov, estava certo ao escrever "Se Deus não existe, tudo é permitido".

Sem Deus, como referência absoluta,  não existe, universal e absolutamente falando, o que é certo e errado no sentido moral.

O argumento ateísta é controverso, mas como dizia Chesterton: "Quando não se acredita em Deus, se écapaz de acreditar em qualquer coisa..."

Um comentário:

  1. Bom, é importante ter em mente duas coisas quando se fala sobre moralidade e ateísmo.

    1. Ateísmo não implica em moralidade. Isso não quer dizer ateus são imorais. Ateus são pessoas, religiosos são pessoas, e pessoas, independente do credo, são as vezes morais, outras imorais.

    O que talvez seja o mais importante:
    2. Apesar do ateísmo não implicar em moralidade, isso também não significa que o melhor sistema moral é o religioso. Isso é falso.

    O melhor sistema moral deve ser aquele que não envolve religião.
    Por que?

    Porque por mais que um cristão acredite piamente sem sombra de dúvidas de que o seu deus existe, o mulçumano também crê sem sombra de dúvidas que o seu deus existe, e o pai de santo também crê sem sombra de dúvidas que o seu deus existe, e assim por diante, para todas as religiões do mundo.

    Portanto, porque dizer que a moral cristã é a certa e não a islâmica? Ou a espírita? Ou a umbandista?

    A resposta não pode ser: "Porque o meu Deus é o verdadeiro". Pois essa é a resposta de todos os outros. Ou seja: assumir uma moral baseada em uma teologia é assumir um sistema moral arbitrário, baseado em preconceito e irracionalidade.

    Isso não significa que sistemas morais religiosos são ruins. Mas significa que não são as melhores opções.

    Por isso, a melhor opção é basear nossa moralidade em um sistema, digamos assim, laico: livre de fundamentação teísta E ateísta. Um sistema moral que não tenha qualquer relação com afirmações teístas E ateístas. Um sistema moral que seja puramente humanista, que atinja o máximo de pessoas (independente do credo) e que favoreça de maneira justa o máximo de pessoas (independente do credo).

    Portanto, a evolução pode não ser uma boa explicação para a moralidade. Mas isso não importa, pois esse tipo de argumentação é inútil, se queremos defender uma moralidade justa, que não seja baseada em arbitrariedades e preconceitos.

    :-)
    Abraços!

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