5 de maio de 2013

E como está o crente viciado em cerveja?

por Zé Luís

"Lança teu pão sobre  as águas..." Ec 11.1

Em agosto do ano passado recebi um comentário que muito me emocionou. Tanto foi isso que não quis publicar o comentário, mas fazer dele um post. Era a confissão de um crente "anônimo" sobre seus problemas com bebida, e toda a tragédia que isso trouxe ( pode ler isso aqui). O relato, cru, dolorido, foi postado em muitos outros sites (entre eles, o Genizah, com audiência muito maior que deste modesto blog, o que causou certa comoção em território nacional).

A situação era terrível e tudo se mostrava negro e sem perspectivas de melhora.

Hoje, ao abrir minha caixa de e-mails, vi que o tal anônimo deu sinal de vida (sim: ele está vivo e bem) e resolveu contar como vai a sua vida hoje:
Olá Zé Luiz! Meu nome é Xxxxo Xxxxx e sou o autor da mensagem que originou o seu post.
Vou ser breve porque estou em horário de trabalho. Vim agradecer os comentários de apoio e compaixão, que tanto me auxiliaram naquele momento tão difícil. Gostaria de dizer que venho perseverando e vencendo desde então e também quero dividir com vocês a alegria que estou sentindo por ter sido indicado ao presbitério.Também serei pai pela segunda vez.E credito boa parte dessas boas novas ao fato de Deus, ter certamente usado você e outros leitores do blog, com palavras confortadoras, que me trouxeram alento e esperança em uma hora em que a própria esperança parecia somente um sentimento fantasioso e vago.
Bem, acabei não sendo tão breve assim,rsrsrs.

Um abraço e que Deus vos abençoe
 Não são poucas as vezes que falta vontade e motivos em manter um blog com assuntos cristãos. Muitos comentários de gente doente, travestida de apologeta cristão bate a nossa porta com uma truculência absurda. Gente com suas máscaras, com seus vocabulários tipicamente evangélicos, onde ocultam uma ira inexplicável. O ódio por aqueles que não compartilham de suas ideias - políticas em alguns  casos - é muito mais comum no inferno do que  o céu que eles garantem ter garantido.

A quase vinte anos, quando escolhi servir a Cristo, não entendia porque alguns dos velhos cristãos  - que tinham muito mais conhecimento da Palavra do que eu - pareciam-me tão cínicos e, muitas vezes, indiferentes ao culto feito ao Deus Altíssimo.

Hoje compreendo que muitos dos que se empenharam no conhecimento das Escrituras tomaram uma postura inquisidora: olham-nos como juízes e advogados de acusação. Compreendi também que nem é necessário ter tanto conhecimento da Bíblia para assumir tal comportamento: as vezes, basta apenas um cargo, uma posição dentro da pequena comunidade para que o detentor da posição comece a se sentir superior ao seu liderado (e o liderado, muitas vezes, conhece a vida do que lidera mais do que o líder gostaria que conhecesse... eis aí uma das causas do cinismo).

Mas nesse emaranhado de joguetes de ego, onde injustiças comuns são feitas contra gente esforçada, onde talentos são enterrados por gente que se esconde no argumento que a vontade de Deus é quem está operando, eis que surge algo que vale a pena: o amor incondicional de um desconhecido (no caso, desconhecidos) por outro desconhecido.

Nesse mar de crentes em suas esquisitices, existe gente séria, que vive o Cristianismo em sua forma genuína, amando ao próximo da forma da parábola do bom samaritano: o próximo é aquele a quem vemos necessitado e por estarmos ali, naquele momento, ajudamos por sr isso a coisa certa a fazer.

Continuarei lançando meu pão sobre as águas, e sugiro que você o faça. É tão bom quando vemos onde a semente lançada brotou.