27 de agosto de 2013

Marcos 5: As vozes que falam pelo possesso.

por Zé Luís

Legião:

Foi assim que eles se identificaram quando questionado: Milhares de demônios vivendo dentro de um indivíduo, como se um ser humano fosse uma colmeia capaz de assimilar milhares de entidades pensantes.

O episódio ocorreu em Gadaria, e ele, o tal possuído, era um velho conhecido da região: já haviam tentado prender o endemoniado gadareno por muitas vezes, mas sua loucura o abençoava com uma força descomunal, o que o tornava mais perigoso e temido.

Residia no cemitério da cidade e passava seu tempo gritando pelos morros da vizinhança, enquanto se cortava .

Quando ele aquele homem diferente desembarcar na praia, correu ao seu encontro, e caindo aos pés do homem, adorou-o como um religioso a um ídolo. Talvez, os restos humanos existentes naquele corpo tenha visto na luz daquele homem a inexplicável esperança de libertação, o milagre capaz de restaurar uma alma perturbada por tantas outras mentes milenares que lhe invadiram.

Falar em possessão parece coisa medieval, mas ignorar ações do Mestre dos mestres, que não costumava usar seu breve tempo encarnado em coisas que não fossem realmente relevantes.

Que vozes aquele possesso ouvia? Quantos vozes era capaz de discernir antes de enlouquecer? Ou não se julgou insano, mesmo quando passou a andar nú, comer cadáveres e se auto-flagelar?

Talvez um dia, antes de tudo começar, se encantou com a aparente esquizofrenia que adquiria gradativamente, vendo coisas onde ninguém mais via. Quando a intuição o levou a acertar algo inexplicável e as ações involuntárias o levavam a agir de forma admirável. Era um corpo capaz de receber muitos pensamentos externos, de obedecer a comandos que não eram dele, pensamentos controversos e unidos em si. Nem percebeu quando já o olhavam de forma diferente, quando os familiares tentavam inutilmente compreender o que havia acontecido e em que momento ele enlouqueceu.

Sei por experiência que ele não creu que um dia estaria naquele estado lastimável, quando começou a brincar com aquelas coisas, e mesmo para eles, o “Legião”, não era inteligente destruir aquela vida: era um raro ser, capacitado a armazenar um pequeno exército do inferno. Mas sabe como é: é da natureza do inferno destruir sempre, e indiscriminadamente.

Como preveriam os capetas que Deus passaria por ali e acabaria com a farra? Soubessem, talvez não chamariam tanto a atenção, deixando aquele homem em estado tão deplorável, chamando a atenção dos céus.

Foi o que aconteceu: a Legião reconhece a luz emanada de um nascido de mulher e dobrou seu joelho, já sabendo que seu trabalho ali, tão laboriosamente arquitetado, estava perdido. Restava permanecer naquela terra, tão boa para diabos como eles.

Dois mil anos passados, e muitos ainda ouvem algumas vozes dessas legiões, dia e noite, quando incentivam nossos desejos e pecados para, em seguida, nos acusar de fracos e dementes por termos caído neles. Pensamentos que não são nossos, mas que nos agradam tantas vezes, apesar de nos imbecilizar.

Pode ser que haja alguém que olhe para Deus e questione a bondade divina: “Que Deus é esse que permite que sejamos afligidos por seres deste porte quando poderia, com apenas uma ordem, expulsá-los de nosso convívio”?

Amigo: você já deve ter ouvido que algumas pessoas cultuam esses seres, os veneram, os defendem como portadores de uma boa e saudável religião, chamando-os de espíritos iluminados, capazes de nos instruir através do uso de corpos - ainda – habitados por pessoas.

Arrogantes, tolos ou ingênuos, alguns creem que são capazes de negociar e controlar esses seres, gerados bem antes da criação do homem, quando ainda eram anjos. Caídos, vagam esfomeados pela terra, invejando e odiando os filhos de Adão, por serem imagem e semelhança de um Deus que tudo pode, tudo vê e está em tudo, e que eles tem como "o inimigo".

Pelo pouco que conheço sobre o Criador, Ele não é dado a tirar de nós opções de escolha, mesmo quando isso pode nos destruir. O alerta vem, mas nossa insistência não será barrada por Ele eternamente. Ele não nos privará do contato com eles. Isso cabe a nós.

A bebida também  é nociva, a droga: destrutiva, a sexualidade exagerada também. Por que permitir que o homem torne sua vida um lixo? Por que ele assim se agrada.

Nesse montante de pensamentos sobre certo e errado (nessa guerra interna e pessoal), nos perdemos em nosso pequeno universos egoísta. Tantos pensamentos perambulando, tantos rumos a serem tomados, tantos caminhos racionais a debater quando justificamos e condenamos as escolhas nossas e as alheias, tentando acha uma outra saída que não seja a única certa.

Mas, meu paciente leitor: todos esses pensamentos e questões devem ser levados em consideração?

A necessidade de uma escolha absoluta se faz necessária para calar as vozes que nos sopram meias-verdades, as mentiras mais perigosas.

O que você anda ouvindo?

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