6 de setembro de 2013

COMO CRIAR O SEU PRÓPRIO INFERNO - capítulo 1

JotaPề é um pseudo utilizado pelo autor, que prefere não se identificar por hora. Mandou-me a mensagem por e-mail, e resolvi publicar aqui.


por JotaPê

Este almanaque está baseado em um apanhado de depoimentos de alguns personagens verdadeiríssimos deste mundão de meu Deus. A possibilidade de você ter topado justamente com uma dessas pessoas é efêmera. Portanto, qualquer semelhança com a história do seu colega de trabalho ou vizinho é mera coincidência.

Como eu ouvi dizer que você não gosta muito de ler, tratei de dividir o almanaque em pequenos capítulos e tratei de utilizar uma linguagem fácil para que não haja muito cansaço durante a leitura. Tratei de chamar todos os "personagens” de VOCÊ, mas isso é só para o negócio ficar mais participativo. Não pense que estou jogando alguma indireta, eu nem te conheço.

Calma: já estou indo ao assunto que nos traz aqui, mas como se trata do primeiro capítulo deste tão útil almanaque, me sinto na obrigação de escrever uma introdução para que você, meu querido leitor, não fique se perguntando sobre a origem ou o contexto desta obra.

Parece-me que nós, cristãos, em alguns momentos das nossas vidas, somos tomados por uma paz que transcende qualquer explicação, não é verdade? Pois então! Para acabar com essa monotonia resolvi escrever um guia de como criar o seu próprio inferno pessoal.

Trata-se de relatar na íntegra os depoimentos daqueles que vivem como querem e muito provavelmente como não querem também.

Se sabem em que se meteram? Tenho a ousadia de dizer que não. Pelo menos, todos com quem eu venho conversando parecem curtir de montão a vida como ela é.

Se ao final desta mensagem você se perguntar:

Ué? por quê inferno? CUIDADO! Pode ser que você esteja beirando este tão temível estado de espírito - o u lugar físico (ou seja lá que definição você dá pra inferno). Mas vamos ao que me trouxe aqui!

COMO CRIAR O SEU PRÓPRIO INFERNO

CAPÍTULO 1 – VOCÊ e os outros

Você é casado, tem filhos, um trabalho legal, um bom carro, quem sabe um apezinho bacana, mora num bairro até que razoável. Você geralmente trabalha umas 9 horas por dia, mas sempre que o negócio é dinheiro, você acaba ficando umas horinhas a mais no trabalho... mas não sempre: só de vez em quando, tipo umas quatro vezes por semana.

Daí, quando você chega em casa cansadão, a primeira coisa que você faz é pedir para as crianças falarem baixo porque você teve uma dia cansativo. Você começa pedindo, mas se elas não obedecem, grita, e se elas ainda assim tentarem chamar a sua atenção, ou rirem alto, brigarem entre si ou algo do gênero, você se tranca no banheiro com seu Ipad ou  celular  - ou seja lá o que for - e lá você fica. Se a menor quiser fazer xixi, você conta uma mentirinha branca e diz que não dá pra abrir a porta de jeito nenhum, e que aliás, você esbraveja que não tem “nem o direito de ir ao banheiro nesta casa”. Se o do meio começar:
"Pai, lê pra mim?
"Tô com sono" é a melhor resposta.
Pai... lê?
Você se irrita logo e diz:
Mas que coisa menino, sua mãe não tá aí não???? Então pede pra ela! E você continua lá, sentadão, concentrado numa porção de "nada", num monte de notícias que amanhã serão, efetivamente, nada.

Daí, depois de um tempo, pra não ficar chato e pra família não começar a desconfiar, você sai do banheiro, esconde o "acessório" debaixo da camisa e antes de se sentar pra comer já manda um: é isso aqui que a gente vai comer hoje? De novo?

A sua mulher, que também trabalha, já está por aqui com você e pergunta: Por quê? Não gostou? Come fora. Você então manda um: "Você vai ver o que que eu vou começar a comer fora". A esposa, que já está cansada de tudo, das crianças, de você, do trabalho dela, da mãe dela, do apetite incontrolável dela e daquele amigo super super interessante que nem se quer dá bola pra ela, te avisa que está planejando uma viagem com uma amiga.

Você fica indignado, se sente injustiçado, fica mesmo irado e pergunta: Você vai me deixar sozinho aqui com as crianças, neste apartamento sufocante?

Sua esposa diz logo sem rodeios: Eu vou e, se quiser, faça o mesmo em outro final de semana. Eu preciso do meu tempo livre, sem sua presença e sem as crianças, senão eu enlouqueço neste cubículo. Preciso respirar ar puro de vez em quando...

No ápice da sua irritação, você esbraveja com as crianças que começaram a chorar de medo da briga de vocês, e irritado vai dormir. Antes de adormecer, o que leva umas horas, você planeja detalhadamente o seu dia e também o seu futuro, você se imagina mais rico, mais poderoso, com um carro melhor, uma casa maior, num bairro mais bacana, comendo e bebendo tudo o que tem direito.

Você concluí seus pensamentos, olhando com carinho para as crianças e esposa. Imagina que no dia em que tiver tudo isso aí será um melhor pai e um melhor marido, mas até lá você continua do jeitinho que é.

E assim, mais um dia da vida passou. Um dia bem parecido com vários outros e que se repetem já há sete anos. Antes de adormecer, revê se tudo piorou mesmo quando nasceu a terceira filha (aquela que veio por acidente), ou quando veio a segunda criança que tudo mudou pra pior? Você já nem lembra mais.

FIM do primeiro capítulo

Aguardemos que nosso "colaborador" envie um próximo capítulo.