2 de novembro de 2013

Cansaço, conversão e a necessidade de se retratar com Gondim

por Zé Luís

Quando o Pastor Ricardo Gondim declarou estar cansado desse mundinho "evangélico/ gospel", muitos da liderança do meio aproveitaram a declaração para apedrejá-lo. O que ele disse, claro, denunciava as mazelas do que se formavam e que hoje podem ser vistas em qualquer biboca auto-intitulada "igreja", um monte de centros aspirantes a seita, exaltando muitas vezes os nomes de pessoas comuns como um título religioso popular na frente. Títulos que vão além de pastor, ultrapassando a hierarquia dos apóstolos, ambicionando por uma cadeira acima da do Criador. 

Os chamados sem-igreja então proliferavam e hoje é a um dos maiores frutos desses evangelistas denunciados pelo pastor, referencia de sobriedade naquele tempo. 

Creio que parte das pedradas públicas que recebeu não foi apenas por parte de gente "ofendida" pelas declarações "joão-batistianas". Uma parte desses pastores vive de audiência, sempre opinando duramente contra quem quer que seja, desde que este esteja em alta nas buscas do Google. Eles, na verdade, não se importam com o assunto, mas buscam popularidade, para que seus convites aconteçam  - vivem disso, financeira e emocionalmente - e possam propagar seus nomes nos congressos, campanhas e cruzadas do cotidiano gospel.

Outros, simplesmente invejam. Nessa pequena caminhada no meio, já vi muito "líder pastoral" aproveitar a (pseudo?) "queda" de companheiros de ministério para impor regras, e se o mesmo não aceitar, arcar com as consequências. 

Desde que me converti, já me mostraram muito diabo onde não havia, e atribuíram como natural e aceitável onde era nítida a obra diabolicamente arquitetada pelo inferno. 

Sempre estive envolvido nas religiões e espiritualidades, e a pregação do Deus dos evangelistas sempre me pareceu simplória e rasa, até eu ir a um lugar desses, e contra minha vontade, ficar sentado naquele lugar ouvindo um homem - com português errado -  falar coisas sem sentido. Nunca mais saí daquele convívio desde então. O universo que se abriu mostrou-se capaz de me suprir completamente e a partir daquele momento, decidi aceitar de bom grado o que vinha através daqueles homens - ditos - de Deus. E realmente, recebi uma nova vida, e dentro dessa nova vida, sem perceber, pitadas de veneno.

Ia sendo reconstruído pelo entendimento das Escrituras, mas dentro de um único sermão, a pessoa incluía bobagens e mentiras, manipulações, incutindo na cabeça de quem o ouvia de bom grado as necessidades impostas de quem liderava politicamente meus líderes.

Queimei roupas com símbolos amaldiçoados, revelado por pastores, quebrei discos e cds, me desfiz de coisas que simbolizavam o capeta, segundo o entendimento vendido pelos evangelistas em seus congressos. Demonizei candidatos e acreditei realmente que a maldade da minha alma era eliminada pela quebra sistemática de estátuas de gesso(fiz isso crendo que agradava a Deus, e por isso essa perda nunca me doeu).

Quase duas décadas passadas, ainda vejo gente ganhar projeção no meio evangélico com teologias sobre girafas satânicas, conluios homossexuais para fechar igrejas, um candidato "de deus" que dirá sim ao projeto de gente que assumiu o nome pastor por causa dos votos que isso proporciona.

Pessoas denegrindo outras usando a palavra "comunismo" - palavra chave para os evangélicos americanizados brasileiros - sem que eles entendam realmente o que isso significa. É como dizer "bicho papão" para uma criança que tem medo de escuro.

Se, por acaso, tivéssemos dado ouvidos a esses homens que prestaram suas vozes a denunciar seu meio, teríamos hoje, menos feridos, frustrados e desiludidos, quando é normal de se esperar - em mentes que Jesus libertou - gente inteligente e equilibrada, fazendo desse mundo um lugar onde o Reino Dele se propaga. 

Não: o inferno se alarga onde deveria haver culto ao Único, onde deveria ser o lugar exclusivo de apresentação ao que salva, muitas vezes, é só isso o que não acontece.

Mas você pode se perguntar: por que as pessoas não deixam de ir? Creio que tanto o céu e o inferno sabem da dor da culpa que habita no homem, que o tortura. No fundo, sabem de sua dívida com "algo" e só vão parar de procurar quando encontrarem o que aplaque essa chaga. As igrejas deveriam estar fazendo isso... mas isso vai contra esse mundo que jaz no maligno: uma cura definitiva removeria a necessidade de consumir o lixo que eles vendem, instruir o povo significa gente sabendo fazer escolhas, gente livre é perigosa.

Abaixo, achei por bem postar a tal declaração de Gondim, lida por Ed Renê, e de quebra, outra declaração nos mesmos moldes, de Ariovaldo Ramos.





Um comentário:

  1. Brother, triste seu relato. Sei do que vc esta falando e passei por boa parte de tudo que passo. Não vejo no Ricardo tudo que falaram, só acho que ele cansou desse palco eclesiastico. Esse meio infelizmente deveria ser diferente. Ja postei algumas coisas do seu blog no meu. É bom saber que não estamos só em ser só nessa confusão toda. Abraços. Sou um confuso tambem.

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