26 de maio de 2014

Viver mais um pouco? Sobre aqueles 15 anos a mais...

o tempo passa

por Zé Luís


O rei ia mal de saúde, e Deus manda então seu profeta informa-lhe de seus dias de vida iam terminando. Ezequias então (esse era o nome do rei), ao ser informado por Isaías (o nome do profeta), chora copiosamente pelo fim precoce que lhe era destinado. Aos prantos, ora, lembrando Deus de como ele fora bom e correto enquanto tinha saúde.

Ezequias assumiu o cargo com vinte e cinco anos, e quando rei trabalhou em prol das ideologias do Reino, uma sociedade centrada e dependente nos desígnios divinos, durante quase quinze anos. Mas antes de completar 40 anos, vê sua vida chegar ao fim.

Caso não conheça a história, ela se encontra entre os capítulos 18 e o começo do capítulo 21 do segundo livro de Reis, na Bíblia. Estranhará, certamente, se for ler a passagem aqui indicada: perceberá que o começo do último capítulo citado (21) fala de seu sucessor, o Rei Manassés, e não mais de Ezequias, seu pai. O motivo ficará claro em poucos parágrafos.

Enquanto Ezequias chorava, Deus manda que seu profeta retorne e avise que ganhara 15 anos a mais, que não morreria diante de tamanha enfermidade.

Radiante com sua cura, recebe visitas diplomáticas de diversos países, incluindo representantes de Babilônia, aos quais, empolgado, mostra todas as riquezas do reino: aquela tão amistosa visita teve acesso às armas, as defesas, o ouro contido no Templo e no Palácio, e toda a fortuna gerada em Judá.

Nesse meio tempo, Isaías é reconvocado pelo Divino a informar as consequências daquele ato ao Rei: Aquilo estimularia a ganância dos babilônicos, já que agora todos daquela distante nação saberiam o que havia de valor para levar e como os judeus se defenderiam contra eles, caso entrasse em guerra.

Também, nesses quinze anos de sobrevida, um herdeiro, um príncipe foi gerado. Manassés, que aos treze, assume o reinado deixado pelo então falecido pai, seria um dos mais cruéis reis que aquele povo já viu (os relatos afirmam que ele conseguiu ser pior do que os povos pagãos destruídos por aquele mesmo povo a quem governava). Durante 55 anos de reinado (mais tempo que o Ezequias vivera em toda a sua vida), Manassés desfez todo o bom trabalho feito pelo pai, queimando os próprios filhos vivos em nome do deus Moloque, e mandando serrar o profeta Isaías ao meio, depois de colocá-lo dentro de um tronco oco.

Manassés fez com que todo o povo fosse reeducado, ensinando a cometer erros, e custou caríssimo a todos os que viveram aquela época. As consequências foram fatais ao destino daquele reino.

Mas... e se o plano inicial de Deus não tivesse sido questionado? Se o destino da morte precoce do bom Ezequias tivesse se cumprido, Manassés não haveria nascido, nem os bens de toda uma nação teriam sido expostos aos que seriam seus escravizadores tempos depois. Não despertaria precocemente a cobiça da nação que viria a saqueá-la anos mais tarde, através do rei babilônico Nabucodonosor.

O que viria acontecer às pessoas e as famílias dos suditos - devido as ocorrências nesses quinze anos vividos a mais  – foram trágicas e macularam com muito sangue esse período da história judaica.

Valeu a pena ter vivido mais 15 anos realmente? Certamente Ezequias diria que sim. Deus mostrou que tudo pode a seu servo. Mas... o preço disso?

Parece duro e injusto quando morre o bom, quando o ruim fica e o justo falece, mas o que aconteceria se tudo fosse feito conforme a dor de nossos corações? 

Creio que exista propósito em tudo nos mundos. Ezequias é um relato do quanto podemos errar contornando o destino que Deus nos reserva. 

Nessas horas nunca é fácil orar "seja feita Tua vontade", mas é sempre bom lembrar que esta Vontade é eternamente perfeita.