17 de dezembro de 2014

Disciplina na igreja: como não “ficar de banco”

displicnado: ficar de banco

Há anos atrás, alguém inventou o termo “gospel”. Não queria ser chamado de “evangélico”, já que isso era um muito pejorativo. O mesmo aconteceu quando alguém preferiu ser chamado de “evangélico”: “crente” era algo idiota e,quando se passava a amar Jesus, era empecilho para aquele que queria seguir a fé. Crer em Cristo era maravilhoso, mas ter que se moldar para fazer parte de certas denominações, correr o risco de transforma-se naquele tipo radical, com tantas restrições incompreensíveis, vocabulário e trejeitos irracionais, botava à prova o desejo de muitos em seguir o Mestre.

Um novo convertido nunca compreende em que denominação ingressa, nem compreende o que seriam essas denominações. Não imagina tantas divisões que as distinguem através das interpretações diferenciadas de seu livro sagrado (alguns tem mais de um livro sagrado e outras ainda incluem mais regras e normas aos membros daquele “grupo”).

Com as regras, surgem as penalidades para quem as quebra, e então, a disciplina: “Ficar de banco”.

Nessa minha pequena caminhada de quase duas décadas entre crentes evangélicos já ouvi de tudo. Alguns exemplos de extremos radicais foram registrados no livro “É Proibido” de Ricardo Gondim.


Um rapaz passa de ônibus e reconhece um irmão do louvor andando na rua: ele tem algo na boca, um cigarro. No mesmo dia, o pastor soube disso e o afastou sem que ele pudesse se defender e dizer que era apenas uma caneta.

O garoto punido por devolver uma bola com um toque de letra quando se encaminhava para escola bíblica na igreja, sendo delatado pelo “irmão” que assistiu o “crime” de jogar bola com os mundanos de pés descalços.

A mulher que, direcionada por um médico a cortar o cabelo por um problema capilar que a deixaria careca– como assembleiana, a doutrina a impedia. O pastor diante disso, declarou do alto de sua sabedoria que seria melhor que ela raspasse a cabeça, insinuando faltas imorais da parte da pobre moça (ela realmente cortou o cabelo masculinamente curto, e desde então, não voltou a igreja).

Outra (essa relatada no livro), condenada pelo pai pastor pentecostal por causa do corte de cabelo, encharcou-se com álcool e ateou fogo em si mesma.

A mulher da congregação pega usando brincos extravagantes, a jovem esposa que confessou seu adultério após insistentes pedidos não ouvidos de interesse sexual por parte do marido, e “teve a coroa caída”, perdendo a salvação nesse momento e perdendo direito ao céu: isso é o eterno banco.

A menina que apareceu grávida e teve que entregar seus cargos na comunidade por ter feito “coisa” errada, embora todos veladamente soubessem que outras irmãs tinham vida sexual ativa, mas ainda sem engravidar.

A moça punida por não usar saias, o pai de família expulso por trabalhar em um ambiente não crente, e uma infinidade de outros casos que certamente você já ouviu falar (ou mesmo, aconteceu com você).

Sim: ainda existe isso em uma enorme gama de igrejas, e muitos suportam - o que eles chamam de –a doutrina por amor a Cristo, sem saber que o Mestre não está mais nesse negócio.

São fardos que certos líderes impõem aos seus liderados. Ironicamente, Jesus disse que o Dele era leve.

O que não será punido com os "bancos" serão certos tipos de pecados.

Seja sincero: Se tem notícia de alguém ser disciplinado por ser narcisista ou soberbo? Talvez você tenha visto alguém aplaudi-lo ou massagear seu ego. Muitos pastores estariam de banco se a regra da disciplina fosse aplicada a esse pecado tão luciferiano.

Um invejoso ou iracundo no banco? Quem bateria de frente com pessoas com esses pecados?
Os portadores de “olhos gordos” e “encrenqueiros” são mais difíceis, e se evita enfrentar esse casos: nessa hora, sabe-se que a oração é o caminho.

E a gula? Iam ter que importar bancos. Não haveria quem servisse nas igrejas entre os glutões gospels. A preguiça, a mentira, o falso testemunho.

E a maldição contida no último capítulo do ultimo livro?
18 - Declaro a todos os que ouvem as palavras da profecia deste livro: se alguém lhe acrescentar algo, Deus lhe acrescentará as pragas descritas neste livro.
19 - Se alguém tirar alguma palavra deste livro de profecia, Deus tirará dele a sua parte na árvore da vida e na cidade santa, que são descritas neste livro.  Apocalipse 22
Condenam-se quando acrescentam regras e normas, sendo assim amaldiçoados pelo livro no qual fizeram suas vidas orbitar. Distorcem, acrescentam e omitem e nenhum banco lhes é reservado.

Não tenho aqui a intenção de abolir a punição às atrocidades da menina que deixou que as consequências da relação amorosa com o namorado a engravidasse, mas ”fazer justiça” a esse e deixar o outro pecado “mais graves” fora de punições não me parece nada justo. Compreendo que certas hierarquias devem ser mais preservadas que outras mas devemos estar atentos ao objeto de nossa adoração: Justiça.

Dia desses ouvia o pastor Claudio Duarte, conhecido por suas palestras de cunho sexual, dizendo que isso lhe rendia entre alguns o rótulo de anticristo, simplesmente por palestrar no campo proibido da sexualidade dentro da igreja.

Olhe bem para cara do Cristianismo protestante nacional (ou gospel, evangélico, crente, bíblia, ou seja lá quais termos você precise para se sentir confortável em sua caminhada com o Mestre) e responda como as coisas mudam de acordo com a interpretação humana parcial, e não com o que a Bíblia diz.

Se era proibido jogar bola ou cortar cabelo, por que hoje é liberado? Deus mudou ou foi a cabeça dos líderes que passaram a ter um zelo menos exagerado (e mais acertado) com seus liderados?

Se a punição serve a um, deve servir a todos. Da mesma forma, a absolvição. O entendimento tem de ser universal.

Por Zé Luís

4 comentários:

  1. Não vejo respaldo bíblico pra ficar no banco, vejo para se arrepender e voltar a comunhão. Haja visto q, aquele que pecou contra outro, que chame o outro é reconcilie -se! Se foi com a igreja publicamente, reconcilie -
    se publicamente!

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  2. O fato de não poder usar brincos , ou cortar o cabelo , ou até mesmo não usar calças, são doutrinas do homem , cada ministério tem o seu , na verdade se você faz parte de uma congregação que não permite o uso de maquiagens e calça comprida e você usa , você está pecando porque desobedeceu a doutrina da igreja, tendo em vista que desobediência é pecado , foi o que adão e Eva fez quando estavam no jardim do edem e Deus disse: de todos os frutos podereis comer , mas do fruto da árvore que está no meio do jardim não comereis.

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    1. Mas na verdade nos não deveríamos seguir a regra dada para a IGREJA (nos)? Ao invés se termos AS regras "das" igrejas? ????

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  3. Irmãos, apliquei essas verdades a mim e a Apolo por amor de vós, para que por nosso intermédio aprendais a não ir além do que está escrito, de maneira que nenhum de vós se encha de orgulho a favor de um contra o outro.
    1ª Cor 4.6
    Eis a resposta à questão.

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