30 de dezembro de 2014

Falácia: 5 exemplos do poço envenenado.

falacia do poço envenenado

Você não sabe o que é falácia? Vejo muitas na internet. Um exemplo:
"Você é o cristão confuso? Um cristão não pode estar confuso. Tem que ser convicto na sua fé! Sendo assim, nem cristão você é!" - desqualificando assim qualquer tentativa que eu possa dizer depois.
Talvez você já tenha visto discussões ou debates sobre determinado assunto onde a pauta nem mesmo é debatida. A internet está lotada desses casos e talvez nem tenha lhe ocorrido que foi vítima dessa técnica, onde se desqualifica o oponente antes que ele possa apresentar seu argumento. Se você acompanha debates políticos, lembrará que um oponente quase nunca respondia a pergunta do outro. Apenas começava um discurso que não tinha relação com o questionamento proposto.

Existem diversos tipos de falácias e a técnica é eficiente para aqueles que debaterão sem ter necessariamente domínio sobre o assunto dos que debatem. Isso é comum em pessoas que querem se sobressair em qualquer situação sem mesmo entender do que falam. Ad Hominem (quando se busca desclassificar o oponente e não o argumento) é comum nesse caso.

O termo nasceu numa artimanha de guerra, quando o exército invadido envenenava seus poços para atingir o desavisado exército inimigo invasor.

01. "Você é uma criança tentando ensinar um adulto?"

O adulto não precisa dar ouvidos ou concordar com o interlocutor: ele é "apenas" um menino. O mesmo se aplica a mulheres, diferenças sociais ou formação acadêmica. Mas digamos que o menino está questionando a postura de um adulto que parou na vaga de deficientes quando ele não o era (lembrando: imbecilidade não é uma deficiência válida para este caso).

O jovem, sendo garoto ou não, está correto na reprimenda, mas o adulto usa da técnica para desqualificar a observação correta."Você não entende, é apenas um moleque".

02."Observe de onde tirou a informação. A fonte não é confiável."

Certamente foi o que mais se ouviu nessas eleições e nem sempre era uma oposição injustificada, principalmente quando temos mídias comprometidas com situação ou oposição, e cada uma tem lá realmente claras distorções quando dão aos seus leitores a informação que beneficiam um em detrimento do outro.

O engraçado era ver que a mesma argumentação era utilizada quando haviam fatos reais, ou quando a fonte - como a imprensa internacional -  não tinha vínculos com poderes nacionais e portanto, não tinha motivos para apresentar uma noticia comprometida por interesses.

Certamente, o perfil desse debatedor é típico, e é facilmente traçado apenas pelos seus interesses: quais jornais, revistas e categorias de entretenimento procuram, qual seu comportamento diante dessas informações (como fazem seus comentários), o que o faz recuar e qual o tipo de argumento não surte efeito. Está no seu histórico de navegação, nos cookies que mostram às redes sociais o que andou pesquisando e onde pretende gastar seu dinheiro.

"Você é um "Y", e sua fonte é aquela, a "X", que sempre diz mentiras a respeito de "W".

O ponto é complicado já que realmente temos inúmeras fontes na mídia contaminadas ao extremo, e por estar realmente comprometida em muitos casos, acabamos por descartar a verificação.

03. Mas ele é da igreja "XPTO"!

Outro caso, muito comum entre os evangélicos.

  • "Sua denominação é daquele pastor que aprontou?. Entendi..."
  • "Não foi na sua igreja que aquele pregador cometeu aquele "adultério?"
  • "Estou ciente que vocês são pentecostais. É comum que cometam esse erros teológicos..."

Lembro-me que uma vez conversava com um desconhecido no caminho para uma entrevista de emprego. Tudo ia bem, e finalmente havia encontrado alguém que gostava de falar sobre coisas da bíblia. Até que me perguntou de que igreja eu era. Então, o assunto morreu, e a pessoa desceu 3 pontos antes para não ter que contaminar com um menor.

04. Você não concorda comigo. Só pode ser do grupo "h", partido "n" ou discipulo "z".

Acompanhei alguns debates políticos entre pessoas que não entendiam bem do assunto, mas diante do interesse popular incentivado nas redes sociais, isso aumentou. Argumentos rasos eram usados, e por isso, desfazê-los era coisa comum para aqueles que entendiam do que falavam. 

Eu mesmo fui acusado de ser militante de partido quando desmentia o boato criado por algum colega blogueiro. Embora meu interlocutor se declarasse cristão, parecia preferir a mentira do boato. Desmentir o boato o ofendeu, e o fato perdeu 

05 - O que eu digo é certo. Quem discorda não está contra mim, e sim contra o bem.

Uma subcategoria desta forma é a aplicação de um atributo desfavorável a qualquer futuro oponente, numa tentativa de desencorajar o debate. (ex: "Essa é a minha posição sobre o financiamento do sistema público de educação, e qualquer um que discorde de mim odeia crianças."). Qualquer pessoa que vá contestar a alegação corre o risco de receber um rótulo negativo no processo.