6 de janeiro de 2015

Pedro e a visão dos animais imundos: Atos 10 em uma visão alternativa atual

carne de cavalo: animal imundo para judeu

"E durante a oração, Pedro teve uma visão. Era meio-dia e o calor estava forte.

Enquanto orava aconteceu: um estranho cardápio, embrulhado em um lençol, descia do céu para que o apóstolo de descendência judaica se alimentasse:
- Pedro - dizia a voz  - sacrifica e come.
- Cavalo? Jumento? Cobra? Pardal? Comer isso? De jeito nenhum! Jamais comeria dessas coisas imundas!
- Nada que tenha procedência aqui do céu pode ser classificado imundo, Pedro.

O diálogo se repetiu por três vezes na visão e após isso, Pedro ficou ali, meditando sobre o ocorrido e o que isso significava. 

Foi quando bateram a sua porta. Eram os empregados de um estrangeiro de nome Cornélio a porta. Queriam que o discípulo os acompanhasse até a casa de seu patrão para falar do Deus que ele conheceu.

Pedro entrou, e trouxe um pequeno papel com um link. Entregou nas mãos dos empregados e os despediu. Cornélio deveria acessar aquele site: era um vídeo no Youtube da igreja primitiva.

Assim Cornélio o fez. 

O vídeo era de um desconhecido protestante judeu e tinha no título da sua página, sua estranha declaração cristã de fé. Ninguém, grego, romano ou judeu conhecia aquele cidadão que não fosse dali. Apenas os que acessavam aquele canal do Youtube de 33 d.C.

Ele defendia que um estrangeiro romano não podia ser cristão. Não um discípulo genuíno:  Eles - os do grupo de Cornélio -  eram ligados a Roma, a grande inimiga e opressora do povo judeu e portanto, Jesus jamais seria com quem fosse fruto daquela nação opressora. 

Pelo menos era isso que o ilustre anônimo defendia e para aquele "Pedro" de nossa historia herética, o argumento tosco daquele rapaz cabia exatamente no que ele pensava e por isso, apesar da visão do terraço, Pedro deu o recado que queria ao estrangeiro que tentava ser salvo por nosso Salvador: "você não, Cornélio. Você defende coisas que eu desprezo".

Hoje, através de uma rede social, um leitor alegava que a mensagem deum determinado pregador não podia ser considerada, por ser este pastor um militante do partido "incorreto" e para justificar tal posição, me enviou um link de um sujeito cheio de opiniões sobre tudo. O cara é um daqueles que vive da audiência que consegue falando mal de quem está em alta na opinião pública. 

Fala mal de tudo e todos. Saiu de sua cartilha imaginária ou do que ele pensa ser o certo, ele crítica, zomba, ridiculariza mesmo. Até o momento, possui pouco mais de cinquenta mil seguidores mas esse número de pessoas aplaudindo incentivam-no a continuar a fazer as críticas dos que estão em evidência no meio. É uma forma barata de conseguir pessoas interessadas em seu trabalho.

"Tem alguém falando mal daquela pessoa?" - perguntou o internauta ao Google, obtendo como resposta esse canal. "Deve servir...".

Muita coisa mudou nos últimos anos e creio que esse método de projeção para captar audiência cairá em desuso em breve. É muito mais fácil atacar o erro alheio do que projetar o próprio talento, mas quando todos começarem a usar a metodologia e criticar por criticar, descobrirão que qualquer um é capaz de zombar do trabalho alheio e sentir ódio a revelia.

A propósito: Pedro, que realmente não era muito dado a ter relações simpaticas com estrangeiros - acompanhou os moços até a casa de Cornélio e reconheceu que o Deus de Israel agora era Deus da raça humana, independente de nacionalidade, cor, classe social, dieta alimentar, partido ou coisa humana que fosse. A visão mostrava que o que Deus escolhe não pode ser considerado imundo, por mais que os costumes anteriores, certos e puros, digam o oposto.

Por Zé Luís