27 de fevereiro de 2015

Blogueiro ateu assassinado a golpes de facão em Bangladesh


Um conhecido blogueiro americano de Bangladesh foi morto a golpes de facão por agressores não identificados. Aconteceu em Dhakar nessa quinta-feira, segundo a polícia. A família do escritor, conhecido por ser ateu, alega que ele havia recebido várias ameaças de islâmitas.

O corpo de Avijit Roy, fundador do blog Mukto-Mona(Pensamento-Livre) um dos sites mais acessados e conhecido por defender temas de pensamento liberal, só que em um país de maioria muçulmana. O corpo foi encontrado coberto de sangue, logo após o ataque. Sua esposa também sofreu vários ferimentos e está internada em estado grave.

"Ela morreu ao dar entrada no hospital. Sua esposa também foi seriamente ferida, perdendo inclusive um dedo" - disse o chefe de policia Sirajul Islam.

O casal retornava de bicicleta de uma feira de livros quando dois homens os pararam e arrastaram para a calçada, sendo derrubados a golpes de facão, relataram testemunhas.

Roy, tinha por volta de 40 anos, foi o segundo blogueiro de Bangladeshi assassinado em dois anos, e o quarto escritor atacado desde .

Grupos de radicais islâmicos tem um longo histórico de pratica de execuções públicas de blogueiros ateus e demandam leis para o combate daqueles que escrevem criticando o Islã.

"Os cortes fatais de Roy foram dados na cabeça e ele morreu por perda de sangue. Não havia o que fazer no hospital" -disse o doutor Sohel Ahmed aos reporteres.

Policiais fizeram buscas e já encontraram as machetes usadas no assassinato, embora não confirmem que o ataque tenha sido provocado por islâmicos. 

De qualquer forma, o pai do blogueiro, Ajoy Roy, de cidadania norte-americana, afirma que ele tinha um grande número de ameaças feitas por e-mail e através de redes sociais de muita gente insatisfeita com o que Roy vinha escrevendo.

"Ele era um humanista secular e foi autor de dez livros, incluindo o mais famoso "Biswasher Virus" ( Virus da Fé) - contou o pai a AFP.

O Center of Inquiry, organização americana, com fins de estímulo ao livre pensamento, disse estar "chocada e muito triste" com o brutal assassinado do escritor. 

"Doutor Roy era um verdadeiro aliado, um homem corajoso e eloquente defensor da razão, ciência e da livre expressão em um país onde esses valores seguiam sob forte ataque" - disseram em sua declaração.
O assassinato do escritor também causou comoção entre os colegas blogueiros e editores, que lamentam o crescimento da ala religiosa conservadora e intolerante em Bangladesh.

"O ataque a Roy e Rafida Ahmed, sua esposa, é ultrajante, Nós condenamos veementemente esses ataques e estamos profundamente preocupados com a segurança de nosso grupo" - afirmou Imran H. Sarker, líder da associação dos blogueiros de Bangladesh.

Pinaki Bhattacharya, blogueiro e amigo de Roy, denuncia as constantes ameaças contra os editores de livros online, principalmente os que era de autoria do blogueiro assassinado.

"Em Blangadesh um ateu é sempre um alvo. Este pode ser atacado e morto a qualquer instante" escreveu ele em seu FAcebook.

Ahmed Rajib Haider, outro blogueiro ateu já havia morrido da mesma forma em 2013, por membros de um pequeno grupo de militantes islâmicos, o que acabou desencadeando protestos de milhares de ativistas por todo o país contra as ações religiosas.

Após a morte de Haider, grupos de extremistas islâmicos inciaram campanha contra outros blogueiros, convocando paralisações e greves em todo o país, e exigindo a execução de quem consideravam blasfemos.

O governo secular do primeiro ministro Sheikh Hasina acabou por prender alguns blogueiros ateus, além de bloquear vários sites e blogs com o conteúdo que teria causado a fúria islâmica. Além disso, proporcionou seguranças para a proteção dos escritores.

Bangladesh é o quarto maior país mulçumano do mundo e tem 90 por cento de sua população na religião islâmica, em um país de 160 milhões de pessoas.

Um tribunal recentemente proferiu uma série de vereditos contra líderes islâmicos por crimes cometidos durante a guerra de independência do Paquistão em 1971.

Via The Telegraph

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