22 de maio de 2016

A inutilidade evangélica no combate aos demônios

Uma das dezenas de imagens no Google imagens na palavra "peça evangélica gospel"

Sempre me questiono nas peças teatrais apresentadas nas igrejas evangélicas quando tentam representar a influência do mal militando contra o bem. O maligno é, na imensa maioria das representações que assisti, feita por algum ator vestido de negro, com trejeitos arrogantes, com gargalhadas bruxescas e com um discurso óbvio – e ineficaz – sobre como domina os pobres desgraçados que não se enquadram às regras daquela denominação.

O discurso diabólico muda de denominação para denominação, de tempos em tempos. Você pode ser um humano sobre influencia demoníaca por usar saias muito curtas em determinado local e tempo de uma sociedade, ser condenável por não usar um véu, réu de condenação ao inferno por ter questionado alguma liderança desses núcleos religiosos. Ou apenas por cortar o cabelo ou chutar uma bola.

A maioria dessas igrejas tem seus diabos particulares, e os construirão segundo as necessidades doutrinárias de seus líderes.

O controle do sexo, o dízimo, a obediência inquestionável às necessidades de investimento local, a roupa decotada, a maquiagem, a frequência na igreja, o candidato ou o partido a ser votado: o diabo, através desses “atores, pode sair revelando suas mais secretas pautas e estratégias nas pequenas apresentações amadoras durante algum “congresso”.

Biblicamente falando, o judaísmo – autor de toda a bíblia anterior ao nascimento de Cristo - não enxerga o diabo como algo fora do controle de Deus. Satanás é mais uma ferramenta em Suas mãos.

Não há proibição no paraíso contra a ouvir as propostas de satã e nem tão pouco proibição a nenhuma criatura que seja usada por ele. Há sim uma ordem explicita de que determinado fruto do pomar do Éden não seja degustado, sobre pena de conhecimento da finitude humana, entre outras penalidades. Deus não ordena o afastamento do casal do convívio com qualquer um que possa ser colocado a prova pelo diabo.

Vemos, logo nos primeiros capítulos de Jó, Satanás entrando na presença de Deus juntamente com seus filhos. O capeta não parece um intruso, e o Todo-Poderoso o chama pelo nome, mostrando que sua presença não passou desapercebida. É o Todo-poderoso quem puxa assunto com o tal ser.

Embora essa ideia possa parecer estranha, vemos nas Escrituras um espirito de mentira sendo enviado por Deus para encher a boca de - falsos - profetas na intenção de punir um rei injusto (2ª Cr 18). Temos um anjo vindo destruir todo um exército inimigo (2ª Cr 32) - o que para o outro povo seria considerado um devastador demônio. O que dizer sobre o anjo da morte na 10ª praga do Egito (Ex 11)- que só não atinge o povo israelita por estes saberem a forma de evitar sua ação letal)?

Vemos demônios expulsos por Cristo que “clamam” (como quem lamentam, já que parecem reivindicar a legitimidade de suas ações nessa terra, onde Cristo abrevia seus trabalhos). Eles apelam à Lei, mas o Cristo ignora-os com seu Amor, não se contendo dentro das obrigações impostas pelas Escrituras.

O mal é sutil. Não anda de preto e nem tão pouco gargalha. Cheiroso, bem vestido, sabe ser cordial. Como ouvi de uma anciã certa vez, ele anda de “sapatilha de veludo”, procurando espaços onde possam fazer morada, assim como as doenças procuram corpos menos resistentes para se propagar.

As pessoas caem nas armadilhas que elas mesmo preparam: muitas sabem que tem seus limites e suas necessidades intimas. Já vi não poucos abominarem os adúlteros para depois caírem na mesma situação. O erro está exatamente aí: abomina-se o outro de tal forma que imaginamos um casal de possessos cometendo maldades como as dos piores vilões de novela. Nosso imaginário imagina que são constantemente maus, e nessa fantasia, são perversos em todas as áreas.

Quando enfim, estes que excomungam os infiéis de seus casamentos, cometem o mesmo erro, são capazes de garantir que o caso deles é totalmente diferente, que o sentimento que os conduziu àquele ato é legitimo e que algo mais profundo, puro –e irresistível – os fez tomar essa medida. Claro: a partir de agora serão vistos como abomináveis como os outros que julgavam, e sem misericórdia, apedrejados se pudessem ser.

Eles viam o erro e achavam que estavam acima disso. Supunham ser maiores que a capacidade sedutora do pecado.

Alguns, após a queda, exercitarão a misericórdia pela compaixão dos que caem. Outros continuarão no time dos que apedrejam os malditos “pecadores”.

O uso de máscaras mantém essa sobrevida moral nos recintos religiosos, e acaba sendo uma constante entre os fornicadores também, os que tem suas vidinhas sexuais ativas, mas fingem que isso não acontece. Todo mundo aceita mesmo sabendo, precisam deles para tocar o sistema religioso local.

Conheço, claro, pessoas capazes de viver sem sexo entre os solteiros. Uma irmã próxima vive se vangloriando de seu controle e de sua inatividade desde a conversão que já chega a quase duas décadas. Ainda fala sobre o dia que casará, e que tirará esse atraso. Ela tem quarenta.

A questão é que, dos pecados, a luxuria – desejo descontrolado por sexo - é um de menores consequências e de fácil controle (assim como a gula), já que, por ser apetite, se consome em si mesmo.

Você não verá pessoas em igrejas punindo um líder pela ação demoníaca em seu pecado de soberba, por exemplo. Você certamente cederá à sua vaidade e o aplaudirá, por saber que isso o agrada, elogiará seu sermão ou carro novo, sem se dar conta que está diante do pai de todos os males. A pessoa soberba não aceita nada que vá de encontro a si mesmo, e matará inclusive, para que seus planos pessoais, bons ou não, sejam aceitos. Questão de ego apenas.

O diabo? O diabo tem o espaço que você dá. Ele não fala como exu ou gargalha como pomba-gira. Ele é o anjo da morte que leva quem tem que levar, mas as chaves de seu trabalho estão nas mãos de quem tem o tempo de sua vida em Seus bolsos.

Certo rei ganhou 15 anos a mais em sua existência após apresentar argumentos em sua oração (2Rs 20,1;6). Certamente, nesses 15 anos este rei acabou cometendo erros que prejudicaram – e muito – o reino que deixou, já que gerou Manassés, o príncipe herdeiro mais cruel que Israel teve. Perceba que satanás não está incluído nos atos perversos desse sucessor, embora a crueldade dele seja atribuída ao inferno na grande maioria das vezes.

Deus não impede a ação “maligna” de satanás no deserto sobre a vida do Cristo. Antes, o Espirito do próprio Deus o leva para isso.

Ainda em Apocalipse, o diabo, preso, é liberto por um anjo - como quem pega um passarinho em uma gaiola – e o libera para fazer seu trabalho pelas nações, conduzindo mentes como se lida com uma única massa a ir contra o próprio Deus.

A ineficácia da igreja em seu intuito de vencer as forças malignas do mal está em achar que este mal tem força sobre a vida de alguém que é protegido por Deus. A igreja perseguida espalhou o evangelho de Jesus pelo mundo. Os discípulos de Deus só saíram do conforto de Jerusalém porque não havia mais Jerusalém quando Massada caiu pelas mãos dos romanos.

Contam os naturalistas que a águia monta seu ninho com as mais confortáveis penas, e as tira gradativamente para que o filhote nunca se sinta totalmente confortável nessa condição. Se o Criador encuca na cabeça de suas criações “irracionais “ tal raciocínio, por que agiria diferente no trato de seres que fez segundo sua imagem e semelhança? Somos capazes de justificar nossos atos através das necessidades mais mesquinhas. Capazes de aceitar as maiores bobagens por contar dos piores e mais vis sentimentos narcisistas.

O capeta?

Está ali e acolá, buscando a quem tragar, como o ladrão que não vê problema em roubar, a prostituta que não cansa de usar seu corpo para ganhar seu dinheiro, como o leão que não tem moralidade quando mata qualquer outro inocente no intuito simples de saciar sua fome.

Alguém imagina um leão abdicando de comer o filhote do servo por que seus pais se entristecerão com a morte do filho? O predador faz o que tem que fazer. Questão de sobrevivência.

E se isso ainda não se faz suficiente em seu entendimento: Tiago, em sua carta, deixa claro que as tentações nas quais os homens são submetidos partem única exclusivamente de suas fraquezas.

Após ouvir tantas peças e ilustrações pobres sobre Lúcifer (nome que nem consta na bíblia), o único culpado pelas mazelas humanas segundo muitos no meio, cheguei à conclusão que não temos como combater o que não se conhece. Ainda hoje adotamos a ideia medieval e tememos um bicho papão que vive debaixo da cama, recheando filmes de terror com aquela ideia de maldade sobrenatural, enquanto vemos todos os dias assassinatos, falcatruas, drogas, estupros, guerras, torturas, fome, miséria, injustiças e mais injustiças. Todos na conta de um ser que cheira enxofre, chifres e cauda.


4 comentários:

  1. Interessante seu modo de pensar.

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  2. Agosto muito desse comentario e concordo más pra mitos pode ser uma tentativa de aliviar pro inimigo

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  3. HAHAHAHAHA FRACOS E DÉBEIS. NENHUM HOMEM PREGADO NA CRUZ TEM PODER CONTRA OS DEMONIOS. AVE SATANÁS

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  4. satanás é real e influencia sim o ser humano...para o mal, segundo suas próprias cobiças e fraquezas, o senhor crendo nisso ou não, é fato!

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