25 de setembro de 2009

Nossa Apreciação por Linchamentos



Conta-se que uma vez iniciada uma turba, dificilmente se controla o linchamento.


Quando menos se espera, está lá: alguém começa a dar cascudos, e então, até aquele que passa por ali, sem nem saber de que trata, avança com paus e pedras.

Anos atrás, aqui em São Paulo, trabalhava prestando serviços externos quando começou o boato que haveria um ataque de um grupo de crime organizado contra policiais e áreas de comércio.
Não demorou para que os coordenadores convocassem todos estes para que retornassem imediatamente às suas bases, nos dispensando pelo resto do expediente.


Naquele dia, voltei para casa de ônibus no meio do dia, e embora estive longe da “hora do rush”, a condução estava lotada de gente com semblante assustado. O comércio já baixara as portas e na rua, o povo andava apressado, como formiga que prevê a chuva e busca sua toca.


Houveram ataques a policiais naquele dia, e muita gente morreu dias depois também, por conta da busca dos policiais pelos autores dos ataques.


Houve alguns ainda que aproveitaram o ensejo, e de máscara e moto, iam mandando baixar as portas das lojas, alegando fazer parte daquele comando criminoso (mesmo constatando-se depois que eram apenas garotos que nem tinham idéia da proporção daquele movimento).


Dizem que tudo começou pela internet, na divulgação de e-mails entre pessoas comuns, e isto fez São Paulo - e cidades limítrofes – parar.

Creio realmente que a rede mundial já tem esta capacidade aqui no Brasil.


De quando em vez deparo com estes estopins, aparentemente inofensivos, e de repente, “BOOM”! Explode na nossa cara.


Dia desses, n'outro site, um blogueiro bem conceituado por seus leitores, resolveu fazer um comentário positivo sobre a figura polêmica de Caio Fabio.


Tenho certeza que ele não fazia idéia do poder que o assunto possuía, ainda mais quando muita gente revelou que também apreciava o trabalho do reverendo, chamado “para-eclesiástico”. Isso surpreendeu ainda gente que, com conceito prévio, já classifica o sujeito como o próprio diabo, e apreciar seu ministério, na concepção destes conservadores(?), torna-nos gente condenável ao mais profundo dos infernos dantescos.

O tal blogueiro, missionário, pastor, foi literalmente agredido em sua moral. Foi abertamente desclassificado por gente que também usa a credencial de pastor, e como não fosse pouco a esculhambação pública no site do moço, ainda prorrogou a patifaria para seus próprios blogs, trazendo gente que nem sabe do que se trata para a turba, para ajudar a dar suas pauladas, entre versículos e prerrogativas santas.

A vantagem disso tudo (sim, já fui achincalhado assim em outros tempos e sei do que falo) é a benéfica revisão dos conceitos.

Gente que fala(ou escreve) com pomposa piedade pode ter escondido entre os dedos que teclam um violento velho adão, de sono leve e dentes pontiagudos.


Creio que o moço não dormiu muito bem naquele dia. Quando se apanha desproporcionalmente de gente que não se espera nem um mínimo gesto ofensivo, parece que dói mais, e dormir com dor – na alma - não é facil.


Zé Luís

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