26 de novembro de 2009

Adestramentos de Elefantes, de Pulgas e de Homens

Zé Luís

Quando pequeno, fui ao circo algumas vezes.
Lembro-me que o palhaço entrava levando o gigantesco elefante com uma pequena corda, amarrando-o em um pequeno tamborete, onde o paquiderme permanecia, como se aquilo fosse capaz de detê-lo.
Mais fascinado ainda fiquei quando descobri como estes bichos são adestrados: quando filhotes, são amarrados em árvores com grossas correntes e deixados assim durante dias. Eles tentam em vão se soltar até que desistem.
Mesmo depois de anos, estes animais não esquecem, e permanecem imaginando que qualquer objeto é capaz de detê-los, só por estar atado a ele.

O mesmo se faz com pulgas (adestramento usado nos Circos de Pulgas):
O inseto, que tem capacidade de pular várias vezes sua própria altura é colocado dentro de um recipiente de vidro, que é tampado, deixando-o saltitar durante dias. Após o processo, o bicho pulará apenas na altura da tampa onde esteve preso, pois sempre imaginará que ainda está dentro do recipiente.

Jesus disse que se Ele, o Filho, nos libertar, verdadeiramente seremos livres.

Somos livres? Com certeza.
Nos comportamos como livres? Muitas vezes, não.

Olhamos para o banquinho que nos ata, e continuamos a imaginar que ele ainda seja capaz de nos manter presos, olhamos para nossa capacidade devolvida de saltar conforme Deus nos confere, e corcundamente, nos mantemos com passos curtos, dignos de pulgas amestradas.

A liberdade está ali, e o Sumo Pastor segue, tocando o rebanho. Muitos ficam, estagnados em ancoras imaginárias, em situações perfeitamente contornáveis, lamentando a finitude do poder de Deus em sua vida.

O que consola é que Deus antes de ser nosso libertador, é nosso Criador.
A milênios Ele observa os efeitos devastadores da Queda em nossa existência, reconhece os adestramentos, pois trabalhou na engenharias das mentes, e certamente tem a solução para que um homem saiba que é liberto.

Esta resposta está em outros homens, que possuem outras amarras que este saberá desatar, e assim, ajudando-se mutuamente, se faça o desejo do Pai: que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou.

Isto é Igreja.