24 de dezembro de 2009

Impedido de Trabalhar na Obra... por Deus.


Zé Luís

Sempre deparo com gente insatisfeita com a falta de oportunidade dada nos templos evangélicos. Gente cheia de vontade de trabalhar, pré-dispostas a acompanhar sua liderança aonde for, e mesmo assim, parece que ninguém se importa com estas almas, sedentas por servir a Jesus.

Quando me converti, foi diferente. Não demorou muito e já estava pregando. Meu pastor viu em minha capacidade comunicativa algo positivo, e me pôs no púlpito para trazer a Palavra, tocar um instrumento, cantar junto aos ministros.

Como sou de uma igreja pentecostal, não demorou muito para que fizesse as pregações com os trejeitos carismáticos. Diante do espelho, me via pregando às multidões de crentes, que falariam em línguas no meio do alvoroço, tão comum em templos desta linha, enquanto se esborrachavam no chão, ao cair no Espírito.

Ao subir naquele púlpito, me transformava: assumia uma postura séria, semblante rígido, dedo em riste, palavras duras para correção e repreensão dos poucos ouvintes que ali compareciam(que nunca caíram no Espírito com meu sermão, diga-se de passagem).

Já não andava muito satisfeito com as declarações do apóstolo Paulo (o de verdade) quando recomendava que pregadores não fossem neófitos. “Que raios é neófito?” pensei eu. O Aurélio, chamado dicionário, me explicou: não é bom que “novos convertidos” preguem. Certamente Saulo de Tarso não imaginou que alguém como eu, com toda minha inteligência e modéstia, seria capaz de desdizer suas cartas.

Mas aquele processo de vestir roupas de pregador pentecostal austero e sério no púlpito, para logo em seguida, ao descer de lá, minha alma voltar a usar seu bermudão e camiseta regata, chinelo de dedo e total irreverência, começou a me incomodar. Não que eu fosse diferente dos outros pregadores: Muitos usavam o púlpito como alguns proprietários de blogs e sites: se escondem atrás daquele escudo aparentemente inalcançável para falar o que bem entende, já que não podem – na cabeça deles – ser tocado. Essa sensação de segurança faz com que certas pessoas falem muito, e mostrem de si, mas do que normalmente fariam. De uma hora, estava orando algo diferente, logo após minha última pregação:

“Deus, se for de teu agrado, se não for para ser eu, e tiver que usar máscara no púlpito, não me chame mais para pregar...” – sussurrei a Ele, na intimidade de uma madrugada insone.

Quase um ano se passou até que fosse chamado novamente para pregar. Certamente, Ele não queria que usasse máscaras, já que me deu esta personalidade única, não precisava “macaquiar” a personalidade de outro. Mas também, para falar com exatidão de sua Palavra, o parco conhecimento da bíblia que possuía era insuficiente para que o Espírito pudesse me fazer lembrar . Vim do espiritismo, e como todo bom espírita, lia com bastante freqüência literatura relacionada. O problema é não sabia que o meu discernimento bíblico estava “contaminado” com as idéias que Kardec fazia em sua doutrina, e sem perceber, podia estar ensinando coisas ainda aceitáveis no meu recém-convertido entendimento, uma nova doutrina para os irmãos não instruídos, que não passaria de mais uma heresia. Hoje, vários anos e experiências depois, percebo o quanto me faltava e quanto prejuízo foi evitado ao Reino com meu afastamento.

Naquela noite, na Igreja do Nazareno como convidado, preguei depois de um ano. Contei piadas, deixei bem claro quem era, sem tentar provocar rompantes emocionais nos irmãos ou artifícios de oratória. Preguei sobre a frase de Jesus, dita a Pedro, quando este recusou-se a aceitar que seu mestre fizesse o lava-pés:

“Pedro: O que faço agora não entende. Entenderás depois...”

Um dia a gente entende. Tenha certeza disso.

4 comentários:

  1. Vivo conflitos semelhantes, não subir nos púlpitos para interpretar um personagem. Também sou cristão confuso...

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  2. Bom dia irmao em Cristo!
    Bem, também já fui espirita, e acredito que penses ou pensava ser sábio, pois o conhecimento exigido por esta doutrina é grande, mas inócuo.
    Apesar de contradizer a Bíblia, quando estamos no espiritismo, não temos tempo de ler a Bíblia, e nem questionar as heresias ensinadas.
    Mas fico feliz de ver que Deus lhe deu uma nova oportunidade, e também instrução na Palavra, para evitar os ataques do inimigo.
    Devia mudar o nome do blog para cristaoeslarecido.
    Um abraço, Graça e Paz

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