8 de janeiro de 2010

Os Parentes de Jesus


Zé Luís

Começo de ano é sempre assim:

A turma começa a ler a bíblia seguindo aquele plano de leitura em um ano que algumas bíblias oferecem. Simultaneamente Genesis e Matheus, ou vão direto a Genesis, relembrando cada passo, admirando cada trecho não antes meditado. Tres capítulos por dia.

A maioria nunca passa do Levítico, e como o povo judeu, fica pelo caminho; ano que vem, recomeça a leitura, às vezes até usando o mesmo plano de leitura ldo ano anterior.

O interessante é que novas questões aparecem com o passar das releituras; inicialmente lemos como se não fosse necessário compreender, analisar. Minha primeira leitura diretamente na bíblia, antes de conhecer a Jesus, foi a Genealogia de Cristo.

Maçante. (Disse primeira por conta de indicações de leituras paralelas com citações da mesma, como alguns apócrifos, Kardec, Rosa Cruz).

Admitir que aquela história toda não fazia sentido era meu segredo pessoal: Como uma religião – que não admite ser religião – pode dominar boa parte do globo terrestre, quando dependia de textos chatos e de chatos para difundi-la?

Mas na minha arrogância, resolvi dar uma chance para tudo aquilo e ir mais a fundo, planejando ler os 66 livros de minha bíblia no ano decorrente.

Descobri que lia um livro de histórias, e não um manual com regras e procedimentos. Finalmente entendi a Genealogia de meu Salvador, coisa que imaginei ser algo tedioso. Existia um contexto, uma intenção naquela descrição inicial dos parentes do Cristo de Matheus

Maria, tão celebrada por alguns por sua imaculada sexualidade, descendia de gente da pior espécie: Jacó, o polígamo, de tão bêbado, transa com a cunhada na noite de seu casamento,pensando ser sua esposa. Seu filho Judá, toma a nora por prostituta, e tem um filho nesta relação, que entraria para a descendência do Messias. Gente de fora da tribo como a prostituta Raabe de Jericó, ou mesmo Rute, viúva de um judeu, mas de um povo não aceito, estrangeiro, pagão.

Davi, homem segundo o coração Dele é um assassino adultero, com sua casa destruída, filhos homicidas e estupradores.

Sabendo do futuro, o Criador poderia omitir que pessoas carnais foram seus tataravos.

Certa vez ouvi que se Jesus fosse Batista, na Festa das Bodas de Caná, teria transformado o vinho em água.

Nós, na busca da excelência da espiritualidade, não percebemos o quanto existe de humanidade nas pessoas que dão movimento nas histórias da bíblia, e ao contrário do que normalmente fazemos, Ele as acolhe e as imortaliza. O que vai a cada trecho das Escrituras são histórias de Deus e de homens totalmente reais, sem artifícios externos, sem edições de imagem. Não existem gravatas, saias, cabelos, que o façam parecer mais aceitáveis perante a opinião alheia. O Espírito parece escolher gente comum para figurar em suas peças, e não omite nenhuma vírgula de quão imperfeitos e amados eles são.

Foi nesta época que tentei mostrar às pessoas a minha volta o quando a Bíblia era interessante. Foi quando percebi o quanto os outros, que pensavam ainda como eu antes, me julgavam um chato.

Chato, imperfeito, amado de Deus. A vantagem é que agora, pelo que li, sabia disso. Quando se ama um assunto, nada nele é tedioso.

Um comentário:

  1. O Seu artigo toca no assunto central da Encarnação do Senhor, ou seja, Ele se tornou Homem (o Filho do Homem) em sua completude; não cometeu pecado, mas em sua Carne resgatou a humanidade pecadora, inclusive os da sua própria linhagem humana.

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