17 de março de 2010

Curiosidades de nossa Idade Média

Triunfo da morte (1562), do pintor belga Peter Bruegel

por Zé Luís

Chesterton disse que quando se procura algo novo, deve-se desenterra-lo dos cemitérios.

Não sei se já percebeu nos filmes e animações com castelos medievais, mas normalmente, eles estão sempre cercados por uma espécie de “rio”. Na verdade, aquilo é uma fossa sanitária, já que castelos, em sua suntuosidade, não tinham banheiro. Seus habitantes faziam suas necessidades através de orificios nos muros, indo cair direto naqueles “rios”.

Saneamento nunca foi um assunto popular na época. Na Idade Média, a Peste Negra dizimou o que alguns historiadores calculam em torno de 75 milhões e ninguém conseguia descobrir o que realmente estava acontecendo.

Na época se imaginava que aquele evento, a peste bulbônica, era alguma espécie de castigo divino, resultado da passagem de um cometa ou mesmo a maldição que os judeus traziam em sua existência. Logicamente, os judeus eram fortes concorrentes no mercantilismo, e seria conveniente neutralizar essa força, levantando o falso testemunho, o que causou um verdadeiro massacre.

Os boatos surgiram após constatarem os judeus não adoeciam. Estranhamente, se mantinham saudáveis no meio da imensa epidemia que fulminava gerações, e não demorou para associarem isso a uma imensa e inexplicável conspiração hebréia, que contaminava toda a água, em várias regiões da Europa.

Curioso é que se aqueles ditos cristãos poderiam ter reduzido drasticamente o numero de mortes causada pela praga dos ratos negros se conhecessem e praticassem o que os judeus seguiam em sua bíblia: as leis levíticas.

A Lei de Moisés tem em suas ordenanças uma série de mandamentos que não passam de indicações de ordem sanitária: pratos e copos limpos, o zelo pela água potável, o lixo acumulado ser lançado fora do ambiente de convivência social, e mesmo as restrições alimentares como a abstinência de carne suína.

A Lei foi dada ao povo através de Moisés, em pleno deserto, quando não se sonhava com saneamento básico. Se essa Lei foi inventada por um grupo de escravos peregrinando pelo Oriente Médio de 6.000 anos atrás, como saberiam dos problemas de consumo de carne de porco, que só foi comprovada no último século? A ciência, que chegou a condenar o uso do precioso azeite de oliva, acaba por comprovar na atualidade seus os efeitos benignos no coração e em suas artérias.

Talvez nós, cidadãos cibernéticos do século XXI possamos desdenhar da mentalidade medieval, mas ela ainda, desgraçadamente, habita em nós, em potencial. Se você acha que exagero, faça uma breve busca sobre a causa dos tremores nas últimas semanas. Não será raro gente afirmando que a causa foi a religião pagã professada na região.

Também encontrará nas campanhas políticas, associações de  candidatos opostos a grupos satânicos, e a insinuação quase clara que este deve ter, no mínimo, parte com o anti-Cristo que virá (tenho a impressão que alguns crentes esperam mais pelo anti-Cristo, do que pelo Cristo).

Continuam manipulando, agora por meios das ferramentas de massa, mantendo os adeptos do Cristianismo na idade Média, ignorantes dos benefícios constantes nas Escrituras, morrendo espiritualmente. Gente que morre, imaginado que essa falência tem causas mágicas, sem se dar conta que a solução está lá, a disposição, em simples e racionais ações.

Será que no ano de 3010, caso o Mestre ainda não tienha voltado, contarão a História de nossa geração como contamos a idade das Trevas e a Peste Negra? Sinceramente, creio que sim. Alunos boquiabertos ouvirão sobre os absurdos de nossas crenças, ciências e ateísmos, e se rirão com nossa imensa imbecilidade.

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