20 de abril de 2010

A idolatria ao leão de pedra

por Zé Luís

“Como pode de uma mesma fonte brotar água boa e má?”

Uma pequena pergunta que ouço meu entendimento fazer constantemente nos últimos meses, quando se procura referências sobre alguém, de moralidade dúbia , mas que traz em sua oratória a facilidade de transmitir a Palavra. O brilhantismo de alguns destes pregadores chega a ser tão gritante que é capaz de arrebanhar verdadeiros adoradores dos mais fanáticos.

Esses mensageiros brilhantes, seguidos e defendidos como deuses dignos disso, permitem que seus bajuladores o agigantem com seus elogios, sem perceber que sua alma começa gradativamente a petrificar-se, como aquele que contempla a Medusa de soslaio.

O cenário, onde mega-humanos, gigantes espirituais, mestres do conhecimento canônico, se vestem com esse manto de majestade impróprio para homens feitos de lodo, se torna cada vez mais comum, já que as auto-proclamações sobre seu êxito com o arrebanhamento massivo simboliza, o êxito de alguém especial, como o "escolhido" pudesse ter algo que o sobrepusesse diante das nações.

Sem se alarmar, o cheiro da ovelha já não faz parte de seus  mais caros ternos – e diga-se de passagem:  agora, para ele, é odor, ou fedor, se concordar em ser sincero. A equação entre "ovelhas x Emanuel (Deus entre nós)" assume novamente a posição "massa x vigário* x deus inalcançável", ou se preferir: "ovelhas x  intermediário espiritual superior x deus que só se revela a este ser especial."

Essa dureza de alma parece incompatível com a grandeza das revelações que nos emociona. Deduzimos: “Não pode uma alma rígida e insensível nos tocar com tamanha força. O que ele prega é de Deus, certamente”.

A imagem acima, o Chafariz com águas límpidas, jorrando da boca do Leão de pedra, ilustra bem a possibilidade da frase acima ter uma resposta positiva

Se o que mata a sede de ovelhas é o que vêm do Espírito, e ele habita em templos de carne desde o Pentecoste relatado em Atos, não é de se admirar que se debelarmos essa chama, voltando a ser “coração de pedra”, ainda seriamos passiveis de ser canal de informação para o Reino. Só que, o que nos impulsionaria a continuar pelo Reino não seria mais o Reino. Seria o benefício que as ovelhas trazem em seus bolsos, por exemplo.

“Afasta-te de mim” pode ser dito pelo Senhor “naquele dia” ao mais admirado dos líderes espirituais, ao mais brilhante dos cantores religiosos, ao ministro mais brilhante em seu discurso profético.

Indepemdente de suas obras: elas fluem por ele sem ser ele.   O portador da Boa Nova continua sendo o chafariz de pedra, onde não há vida. Apenas o constante matraquiar que pode ser usado pelo Mestre, assim como uma mula ou o mais embriagado e pagão dos bêbados. Necessário é que não adoremos o Leão de pedra, apesar da preciosidade que flui de suas entranhas. Não vem dele, e sim, através dele.

*substituto (Vicaris dei - Substituto de Deus)