5 de abril de 2010

O primeiro estupro a gente nunca esquece



Há algumas semanas o Dicas-L publicou meu artigo Que fim levaram as normalistas? onde comentei sobre as shag bands, as pulseirinhas do sexo. Pouco tempo depois o Rubens Queiroz apontou-me o artigo do G1 contando a história de uma menina de 13 anos, de Londrina, que foi estuprada por pelo menos três rapazes.
Difícil saber o porque da menina estar usando as pulseirinhas. Pode ter sido pela simples modinha de acompanhar as colegas, fazer parte de um grupo. É na adolescência que a gente faz o que pode, mesmo, para se encaixar em um grupo. Pode ser porque julgou-se madura o suficiente para embarcar em uma iniciação ou jogo sexual onde a cor da pulseirinha apontaria o caminho fácil de um próximo passo, sem ter que pensar muito ou perder muito tempo com romantismos de contos de fadas. Pode até ser que, cansada do assédio dos meninos (que só pensam mesmo "naquilo"), resolveu tomar para si as rédeas de suas opções e expor em seu pulso o cardápio do que estaria a fim de fazer com aquele que corajosamente arrebentasse a pulseirinha apropriada

Para os meninos esta questão de querer fazer aquilo é fácil. Há toda uma sociedade que espera mesmo que eles sempre queiram ficar, azarar, transar com as meninas. Eles prescindem de pulseirinhas. Os meninos que querem e conseguem sexo são pegadores. As meninas que fazem a mesma coisa são vagabundas. Ruth de Aquino esclarece esta situação maravilhosamente.

Eu acho que, em termos de amadurecimento, as coisas não devem ter mudado muito da época em que eu era adolescente até os dias de hoje. As meninas, muito certamente, ainda amadurecem mais rápido. Esta menina de 13 anos de Londrina tinha muito mais cabeça do que o imbecil de 18 anos que liderava o bando de bobões e babões que arrancaram sua pulseirinha. Ela teve a coragem e a maturidade para ir com sua mãe até uma delegacia e denunciar seus estupradores. O imbecil maior de idade vai para a cadeia. Os que o acompanharam no estupro, por serem menores de idade, devem ter os benefícios do estatuto da criança e do adolescente.

Se o caso fosse um pouco diferente, se a menina tivesse 18 anos ou mais, aqueles (e até aquelas) que apenas guardam o que estão pensando não teriam receio em verbalizar: "a vagabunda estava pedindo!". Outros vão mais adiante e acham que todas as meninas ou mulheres que usam decotes ou minissaias estão pedindo também. É um passo antes de achar que todas as mulheres que não usam burka estão pedindo.
Estão pedindo sim! Respeito por sua condição de criança, menina e mulher. Respeito por seu poder de escolher e manifestar suas escolhas. Respeito pelo corpo que lhes pertence, rica e belamente exposto ou não.
 
Indicação do @manabivsk

3 comentários:

  1. Belo post... escrevi sobre SNAP faz um tempo, teve gente que pensou ser brincadeira, mas ta aí o resultado.

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  2. Respeito?
    Que palavra é essa?
    Nossa sociedade não a conhece mais.
    Não se respeita as mulheres
    não se respeita as crianças
    não se respeita mais os idosos
    NÃO SE RESPEITA MAIS A VIDA.

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  3. Falou tudo, Zé! Mulher não é igual cadela: está sempre no cio onde é só colocar e já era. Mulher tem cérebro, tem sentimento! Todos os seres humanos devem se respeitar, independente das diferenças!

    A Paz!

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