22 de maio de 2010

Amigo é para essas coisas

por Zé Luís

A música acima é cantada pelo MP4. O clipe não é mais que colagens, mas a letra fala muito sobre a amizade, apesar das tristezas que a vida pode nos trazer.

Amizade é amor raro e confundível.

C.S.Lewis diz que este é o amor que existe entre o anjos, já que as amizades nascem em torno da frase “Pôxa! Mas eu também sou apaixonado por este negócio”, e o objeto de adoração de todos eles é o mesmo, o Santo. Também é um amor que pode ser confundido com outros amores e sentimentos, mas saiba: não se pode ignorá-lo nem abster-se dele.

Uma amizade sincera não está necessariamente embasada em crenças, a não ser que estas sejam exatamente o objeto da frase acima citada. Conheço gente que ama seu amigo a ponto de morrer por ele, e se formos verificar aonde nasceu essa fidelidade profunda, se constatará dos detalhes mais ordinários: um time de futebol, o interesse por literatura ou qualquer ciência; Amizades nascem na dor da perda semelhante, na compreensão entre agredidos, ou em uma mesa de bar onde os ébrios riem, choram, mentem, cantam.

O Mestre, certa vez, foi interrompido no meio do culto lotado. Era na casa lotada de um de seus discípulos que o telhado foi arrancado, e dele, quatro camaradas desceram seu amigo, entrevado em uma maca.

“Que falta de decoro onde Deus, em pessoa, traz sua Palavra. Cadê o diácono? Chama a polícia!” - gritaria o Datena, se ali estivesse presente. Creio que muitos ali devem ter se incomodado com a tamanha falta de noção: destelhar a casa alheia para furar uma fila, interrompendo uma palestra com quem, os próprios amigos criam, ser Ele: o Filho do Criador de constelações. Jeová mandaria raios pela falta de respeito?

“Perdoo seus pecados.” - disse Ele, escandalizando os religiosos locais que ouviram(Qualquer estudante das Escrituras sabia que só Deus pode absolver pecados. Jesus ali, mais uma vez, deixou revelar sua Natureza, embora muitos não aceitavam nem acreditavam que Ele o seria).

Creio que a culpa, sempre ela, foi a responsável pela situação daquele aleijado: ele foi permitindo que as acusações contra sua alma fosse se somatizando. Talvez tenha começado com uma leve pontada periódica nas costas, e ele deve ter pensado “O castigo por meus pecados vem, este deve ser meu castigo...”

Foi gradativo, não de um dia para o outro que aquela doença o prostrou em seu leito. O Mestre o perdoa, para que depois de curado, não voltasse a aceitar as dores onde acusações pudessem adoentá-lo novamente.

Quanto aos amigos, não se preocupe em preservá-los. O tempo não os dilui, não as amizades verdadeiras. Qualquer um que possui um amigo sabe que , mesmo com um reencontro de anos, logo após um abraço, os assuntos recomeçarão do ponto onde terminou, e parecerá então que foi ontem que se falaram pela última vez.

Se a amizade dos homens é assim, diga-se lá de nosso Mestre, que faz questão de nos chamar e tratar assim.

Essa é a Graça: um amigo não nos deixará num leito se aparece um propósito que interrompa aquelas dores. Ainda mais quando esse é o Filho de Deus.

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