26 de julho de 2010

Aversão por Teologia

por Zé Luís

Não é raro conversar com algumas pessoas e ouvir delas sua aversão por Teologia.

Gente sincera em sua fé, que gosta de uma boa pregação, que passa bons momentos de leitura diante da bíblia, e tem sede de conhecer os pormenores descritos naqueles escritos.

Percebo que eles amam quando alguém detalha algo da época, que explica o porque do comportamento de determinado personagem , assim como guarda cada detalhe línguístico que lhe revelam um sentido mais profundo do que o captado nas traduções ainda não revistas. Um exemplo:

“O Senhor é meu pastor, de nada sinto falta...” é a tradução correta da primeira frase do Salmo 23, o que dá muito mais sentido ao salmista: Se tenho Deus como liderança em minha alma, como poderia sentir falta de algo, antes que ele me supra?

No sentido mais conhecido, o “nada me faltará” implica que jamais existirão carências ou dramas em minha vida, o que contrariaria a declaração do Messias, que diz que “neste mundo terei aflições...”

Se você se sentiu edificado com o exemplo acima, tenho uma noticia terrível: Você gosta de Teologia, que nada mais é que “estudo sobre Deus”. Talvez não goste dos teólogos. Seria mais compreensível, Jesus não gostava de alguns também.

Não estou dizendo que o homem que se tornou mestre nisto seja mal, mas o esteriótipo do ser superior e inquestionável é o que se abomina.

Gandhi dizia que o que tornava o Cristianismo ruim eram os cristãos. Isso não significa que Jesus nos torna ruins, mas o desejo luciferiano de ser mais que os outros nos torna insuportáveis.

Quem nunca se irritou com alguém que tem todas as respostas sobre assuntos que não tem definição?

Discussões sobre Calvinistas e Arminianistas, Pré, meso e pós milenistas, pentecostais e históricos, Se estaremos em sono, aniquilacionismo ou andando pelo Céu, e tantas outras coisas que em nada ajudam.

Não é incomum vermos personagens bíblicos jogando questões insolúveis entre grupos de estudos rivais: Fariseus e Saduceus, que tinham um objetivo comum de abafar as ideias de Cristo se dividiram quando foi lhe questionado sobre a ressurreição, a ponto de esquecerem o foco de sua questão.

Assim são muito destes teólogos: estudaram muito para poder debater com seus iguais, e mostrar aos que anseiam entender melhor o Reino como eles são superiores e inquestionáveis. Esqueceram da vocação que lhes impulsionou até ali.

Uma boa forma de saber se sua Teologia está surtindo um efeito benigno é verificar se o que explica é inteligível às crianças e adolescentes.

Jesus conseguia...