Um pequena fábula sobre o amor

by *jjuuhhaa

Zé Luís: Ouvi a estória, e a transcrevi, com algumas adaptações

Numa ilha isolada, mas acessível a todos nós, os sentimentos conviviam numa harmônia possível: Alegria, Tristeza, Vaidade, a Sabedoria, a Raiva, o Desânimo, a Paixão, e tantos outros, mais, ou menos conhecidos.

Foi quando veio a notícia que a bela ilha afundaria no meio do oceano, foi grande a correria de alguns: o Desespero começou a dar chilique, o Pessimismo garantiu que todos morreriam e logo disse que estava em comum acordo com o Realismo, que em nada se pronunciou a respeito. A Astúcia rapidamente, mancomunado com a Inteligência, montaram seus barcos e trataram de deixar a ilha condenada.

O Amor, ao contrário, queria ficar um pouco mais e vislumbrar o lugar onde vivera bons momentos de sua existência, se se aperceber que rapidamente tudo submergia nas águas azuis e quentes daquele oceano Quando percebeu, estava começando a bater os braços, nadando onde havia terra seca.

A Prosperidade que passava em sua bela embarcação, foi chamada pelo Amor:
-Ajuda-me, pois vou morrer!
-Meu amigo, te admiro, mas meu barco está cheio de bens, ouro e tudo que fui capaz de amontoar pelos dias que estive na terra...fale com a Vaidade, ela ainda está ali, em seu lindo barco...
-Nem vem! - disse a Vaidade – Tu tá todo sujo. Independente de quem você seja, não vale o preço de danificar a beleza de meu belo barquinho...

A Tristeza, que cabisbaixa remava seu obscuro barquinho olhou com os olhos marejados para o Amor, que começava a engolir muita água:
-Desculpe-me, amigo, mas a segurança de minha existência só existe se manter-me longe de você. Por isso prefiro andar com outra pessoa que me fortifica, a Solidão...
A Alegria passou de largo: a cena de um Amor morrendo poderia alterar seu estado de espírito, e ele preferia ignorar que aquilo estava acontecendo.

O Amor não se incomodou com todas aquelas recusas, já que ele tudo perdoa, tudo espera, tudo sofre, tudo crê. Decidiu deixar que as coisas seguissem seu fluxo, deixando a maré o sufocar, até que a situação o matasse. Foi quando uma mão forte o puxou, colocando-o em sua barcaça incrivelmente antiga. Embora muito forte, era um ancião, e em seu rosto havia a aparência de todos os mestres e todos os carrascos. O Amor não o temeu, mas respeitou seu profundo silêncio, em gratidão por seu resgate.

Sem se identificar, o ancião deixou-o em um lugar  seco e alto, onde a Sabedoria já estava, observando toda a cena. O Amor, observou o ancião seguir sua viagem, sem despedidas, no mesmo silêncio em que o salvara:
-Ele não é um de nós... - comentou a Sabedoria.
-Você o conhece? Questionou o Amor, intrigado.
-Claro... - disse com sua voz de quem já aprendera com as luas – Ele já me ensinou muitas coisas.
-E quem seria, para poder ensinar você, Sabedoria?
-Quem poderia ser? O Tempo. Só ele seria capaz de salvar um Amor verdadeiro..

Comentários

  1. Nooooooooooooooo !!!

    Que BELA adaptação !

    Amei ... Vou compartilhar !


    Abraço =D

    ResponderExcluir
  2. Acho que li algo parecido em outro blog. Mas, mto bom esse texto.

    Abraços.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Os 10 números mais significativos da bíblia

Sobre anjos: 10 erros comuns

A batalha na"vida de inseto": o despertar.