13 de setembro de 2010

Como seria se antes...

por Zé Luís

As vezes, fico imaginando como seria antes. Antes da contaminação que levaria o homem a sua auto-destruição, que colocou o homem numa descendente que o apresenta a morte.

Não havia erro ainda quando a possuída serpente, endiabrada como nunca, falou a primórdia fêmea humana, questionando sobre o que Deus havia dito sobre a tal árvore proibida, a que dava conhecimento sobre o bem e o mal, única possibilidade de furo naquela segura bolha feita para se viver eternamente.

Alguém pode recriminar – certamente, o azedume da fruta ainda amarga no céu de sua boca, apontando certos e errados – dizendo: Se Deus sabia da possibilidade de queda, por que não remover essa possibilidade?

Um imenso e belo mundo, sem porta de saída, sem a opção de escolha de não viver em um belo mundo, pode ser chamado de prisão. A morte ainda é uma prisão por não oferecer escolha. Por isso dizem que o Mestre liberta encarcerados, traz a vida àquele que estava morto.

Como seria as respostas do primeiro casal se fruta ainda não tivessem envenenado?

“Ele disse que não deveríamos provar, olhar, encostar...”- exagerou Eva(Deus só havia dito para não comer, e ela, deliberou que podia aumentar o peso da exigência). Era a deixa da peçonhenta endiabrada. Na árvore poderia tudo, até comer: “Deus falhou em sua Palavra, veja: eu toco, eu olho, eu brinco com ela...”

O que falhou foi o entendimento de Eva, querendo incrementar a ordem, o que lhe levou a crer na fabilidade da informação do Criador.

Logo após a queda, mudanças ocorreram. Os humanos, expostos diante de seu Deus, se escondem, pois conheciam o bem e o mal, sabendo bem o que praticaram. Queriam ser como Ele, e conseguiram: distinguiam causas, efeitos, porquês, conseqüências.

“Não fui eu”- alegou Adão - “Foi essazinha aí que Tu me arrumou, culpa dela...”(olha eu incrementando a Palavra também).
“Foi a serpente, ela me convenceu...” - tentou justificar ela, apontando para a cobra, que nada disse.

Alguns crêem que a cobra não apontou ninguém por não ter braços, ou mesmo um queixo.

Por mim, só consigo imaginar o bicho sorrindo, vitorioso, diante do êxito da inominável tragédia que havia conquistado contra a recém criada raça. Se o que estava nela - a serpente – só tem como intenção de sua existência matar, roubar e destruir, ali ela conquistara tudo ao mesmo tempo.

Quando o Filho veio desfazer isso, deu ao homem resgatado a capacidade de assumir seus próprios erros, a capacidade de arrepender-se, de dizer: “pequei contra os céus e contra a terra..” para ser interrompido em sua fala por um caloroso abraço de retorno de um Pai que contava os segundo para este momento.

Antes seria como pode ser agora, com o absurdo sangue me lavando ininterruptamente, apesar das minhas imbecilidades de Adão ainda fazerem de mim uma tentativa de pequeno deus, querendo decretar o que é justo ou injusto a partir de meu decadente e precário senso de justiça.

Nos preparamos para voltar a passear entre os pomares, sem medo de sermos vistos nús, bem conscientes de onde fica a porta de saída, deixando que Ele diga de quem é a culpa, cumprindo seu juízo perfeito.