4 de dezembro de 2014

Profetas legítimos também se enganam


Aparências enganam
Jack Jonhson é pastor e missionário em tempo integral

Não falo aqui de pseudo-profetas, vistos aos montes nos dias de hoje. Alguns até ganham fama e reconhecimento por defenderem sua posição imaginária no Reino Celeste.

É fácil se passar por emissário de Deus: Basta deixar-se levar por um assunto e dizer exatamente aquilo que esperam ouvir da "voz de Deus", Muitos não fazem por mal, embora a irresponsabilidade sobre as consequências de brincar com a fé alheia terá sua pena, A tentação de poder através do medo exercido nos outros é algo que sempre embriaga.

Não percamos o foco da origem dessas coisas e pessoas. Devemos usar a Bíblia para falar de situações que ela cita. 

Os atuais profetas na verdade - não são, mas sim - "estão", pelo proposito do Céu, no que Espirito dá, e este mesmo Espirito não fica a disposição para misticismos grotescos. Biblicamente falando, as ações "sobrenaturais perceptíveis" ocorriam muito pouco. Pequenas pinceladas em momentos dramáticos da História.


Aparências enganam
CEO entre os 500 da Forbes
Jesus afirmou que seu primo João Batista era o último dos profetas, o maior deles. Morreu decapitado por ordem de Herodes, por causa da dança de Salomé. Estava preso por repreender o tal governador por sua atitude imoral.Para João, Herodes era só um homem como os outros e sua posição social não lhe dava salvo conduto diante do Reino que viria. Profetas pensam assim.

João ouvia Deus e falava o que era para ser dito, mesmo que lhe custasse a vida, como custou.

Havia nos profetas a capacidade de enxergar o mundo além do mundo. Eliseu via com naturalidade um exército inteiro de seres de fogo, e conseguiu - através de uma pequena petição ao Altíssimo - que outro homem comum, mesmo que por alguns instantes, pudesse ver também. João reconheceu sinais, sem palavras ou demonstrações de poder, que lhe mostraram o próprio Deus na Terra: a voz divina que ele ouvia, numa boca humana, ficava com o som do que vinha da garganta de Jesus.

João era filho de sacerdote, e portanto, herdeiro levítico do sacerdócio no Templo: Não eram Anás ou Caifás que deveriam estar a frente do Templo, mas João preferiu ir para no deserto. Sua dieta de sacerdote deveria ser rígida, mas preferia o cardápio com gafanhotos e mel. Suas vestes deveriam ser especias, brancas e de linho puro. Ele usava peles de camelo debaixo do sol de Israel.

Profetas não viviam inteiramente nessa dimensão. Ele viam mais e portanto, as regras sociais daqui não tem sentido.

São capazes de andar com as nádegas de fora, como fez Isaías ( o mesmo embaixador que tinha acesso a reis e rainhas), não chorar pela perda da mulher por ordem de Deus, ou casar com a pior das vadias por decreto divino, como fez o traído Oseias, que fez de sua vida uma alegoria ao que Israel era.

Ir parar na barriga de um peixe no meio de uma tempestade em alto mar, ou sofrer torturas e prisões por ter dito o que lhe foi mandado por Jeová.

 Mas João, quando preso, teve dúvidas: "Perguntem a Jesus se é Ele mesmo ou devemos esperar mais alguém".

A dúvida. Ela sempre. Mesmo no maior que já havia nascido do ventre de mulher (opinião do Cristo, claro).

Outro homem, o último dos juízes, conseguia ouvir o som da voz do Altíssimo, Fora concebido em um ventre seco através da ordem de Deus, e por gratidão da mãe, foi entregue ao Templo para servir.

Samuel, o último dos juízes, quando foi ungir o novo rei de Israel, imaginou que o escolhido seria outro: imaginou o mais velho dos irmãos de uma família, o mais forte, o que os olhos mostravam ser a melhor opção. Quem sabe não era um dos outros cinco filhos de Jessé? Jamais escolheria Davi, o garoto que leva-la marmitas para os irmãos enquanto se preparavam para guerra. Ele nem em casa estava.

Deus havia escolhido o menor, o caçula, que tinha cheiro de ovelha e suor, pelos longos dias em que pastoreava o rebanho de seu pai.

Ninguém sabia, mas o menino Davi compunha cânticos no campo em louvo a Deus. Fazia seus salmos quando ninguém estava lá para aplaudi-lo ou propor-lhe uma carreira de sucesso no mercado de canções religiosas de Jerusalém.

Samuel não tinha como saber que Deus tinham em mente um adorador. Um homem como Samuel, ministro de um país e definidor de reis não tinha tempo para crianças e suas canções. Mas Deus tinha,

Aparências enganamO coração de quem escuta Deus também se engana. Tentamos matar a charada eterna, que é adivinhar o que Deus pretende fazer. Analisamos usando nossos critérios pobres e incompletos, e nossa fé não alcança o percurso que Deus faz para realizar seus propósitos.

A disposição de Deus estão todas as coisas, e saber como usá-las é cotidiano Dele. o tempo, a onisciência, a onipotência, a onipresença.

E se o coração de um profeta se engana, pense naquele que é surdo para os sons do paraíso. A mãe parcial que não consegue enxergar que o filho não é tão bom assim. O pai que exagera nas doses de "paternidade", ou o filho que tem certeza que os pais não sabem de nada, já que vivem algo "inédito".

Os amantes que juram amor eterno, o amigo que diz "confie em mim", o bom patrão que se compromete a beneficiar aqueles que o ajudarem e mudam quando o lucro passa a ser mais importante.

Se os de boa índole falham em seus prognósticos, o que dizer dos outros?

Por Zé Luís

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