17 de janeiro de 2015

O Rétété não teve origem nas igrejas Pentecostais


Diferente do que muitos pensam, o RÉTÉTÉ (ou "sapatinho de fogo" em alguns estados brasileiros) não é uma característica proveniente do pentecostalismo. 

O movimento surgiu paralelamente ao movimento pentecostal.
 "Em 1923. Gunnar Vingren, um dos maiores fundadores da Assembléia de Deus no Brasil, fora informado de que certo movimento pentecostal começava a alastrar-se por Santa Catarina. Sem perda de tempo Vingren deixou Belém do Pará, berço do pentecostalismo brasileiro, e embarcou para o Sul. No endereço indicado, veio ele a constatar: 'Não se tratava de pentecostes, mas feitiçaria e baixo espiritismo."*
O movimento nos moldes do RÉTÉTÉ não teve origem brasileira, mas estrangeira, embora o rótulo adotado só seja conhecido no Brasil. O seu nome original é "unção de Toronto", referente ao local onde acontecia a prática ESOTÉRICA da Igreja Comunhão da Videira do Aeroporto de Toronto - Canadá, uma das igrejas que mais deram notoriedade ao movimento a partir de 1994:

"Ao contrário das demais igrejas pentecostais, que buscam preservar a ortodoxia doutrinária, a igreja do Aeroporto... granjeou surpreendente notoriedade em virtude das manifestações que ocorriam em seus cultos. Dizendo-se cheios do Espírito, os frequentadores dessa igreja começaram a manifestar-se de maneira estranha e até mesmo exótica. Em dado momento, todos punham-se a rir de maneira incontrolável, alguns chegavam a rolar pelo chão. Justificando esse bizarro comportamento, alegavam tratar-se de "gargalhada santa". Outros iam mais longe: não se limitavam ao som estrepitoso dos risos; saíam urrando como se fossem leões, carneiros, ou bradando como guerreiros, fora os que caíam no Espírito".*
*Revista DEFESA DA FÉ -  edição especial,  página 115

Hoje, diversas igrejas intituladas "Assembléia de Deus" ou de segmentos "pentecostais" se envolveram com esse tipo de comportamento, anarquizando o já tão fragilizado movimento carismático pentecostal. 

A frase "SOLA SCRIPTURA" dos reformadores, raiz do movimento evangélico que defendia o abandono dos ritos e costumes que estavam fora da Palavra, fica comprometido diante de tantas experiências pessoais que são postas igual e até acima ou no lugar das Escrituras.

A RAIZ DO PROBLEMA DOS MODISMOS

A outra problemática dos modismos do tipo Rétété é o mau uso da aplicação pessoal das Escrituras. O que é aplicação pessoal das Escrituras? 

É o ato de se trazer um texto bíblico para sua vida, onde não há problema algum. 

Só que hoje os atuais locais -ditos - pentecostais extrapolam nas formas interpretativas, onde Deus lhe fala pessoalmente no texto, transformando em regra ou doutrina aquilo que nem o autor do texto bíblico quis dizer, causando isolamento e total descontextualização, causando distorções e oferecendo uma promessa biblíca que jamais ocorrerá. Abaixo, um exemplo de bom uso de aplicação pessoal:
Você está triste e abatido, mas lendo as Escrituras se depara com o seguinte dizer: 
"Não temas, porque Eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel". (Is.41.10). 
Então, Deus lhe fala ao coração, embora o texto se refira à nação de Israel (v.8) o leitor bíblico aplica essa palavra a sua vida e não terá problema algum, já que aplicou o texto para si, mas não criou um isolamento total do trecho, não desprezando seu contexto, já que pois como Israel passou por tristeza e abatimento, o Cristão passa. Dessa forma, poderá até usá-lo para outras pessoas que estiverem tristes e abatidas.

Vejamos um exemplo de mau uso da aplicação pessoal:
"Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes". (Jr.33.3). 
Nesse momento, o leitor desprovido da capacidade de interpretar ou texto ou apenas malicioso (não sei, Deus o sabe) toma essa palavra para ele e se coloca como portador da revelação. E que orando e buscando a Deus "coisas grandes e ocultas" lhe será revelará especialmente pelo Senhor. 

Por isso surgem cada vez mais pseudo-gurus espirituais, anunciando o fim dos tempos, entre outras interpretações estapafúrdias que jamais ocorrem.

Menos meu filho, menos! O grande problema do mau uso da aplicação pessoal das Escrituras está entre a cadeira e a Bíblia - o ser humano soberbo, narcisista e egoísta que pensa ser grande coisa.

Deus fala para um cristão pela Escritura de forma pessoal. Porém, a partir do momento que esse discípulo leva a forma pessoal que o texto lhe falou, saindo totalmente do contexto e faz dele regra ou doutrina, já não é mais Palavra de Deus. 

O Pastor Raimundo de Oliveira, autor do livro "Seitas e Heresias", já dizia: 
"As palavras de Deus interpretadas no sentido em que Deus as disse, são palavras de Deus, mas interpretadas no sentido que nós queremos, não são palavras de Deus, antes podem ser palavras do Diabo". 
A Bíblia nos ensina: "sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação". (2Pe.1.20).

Baseados em informações vistas no Sob Graça