7 de outubro de 2009

Ao Deus Desconhecido

altar ao deus desconhecido

Zé Luís

Conta-se, segundo tradição registrada como história por Diógenes Laércio, autor grego do século III a.C., numa obra clássica denominada The Lives of Eminent Philosofers (vol.1, p. 110) o seguinte:

Epimênedes, herói cretense, atendendo pedido de Atenas feito por Nícias, veio afim de aconselhar a cidade sobre a remoção de uma praga, e ao chegar, pediu um rebanho de ovelhas, pretas e brancas, em total jejum, soltando-as na relva da Colina de Marte, sendo que elas não podiam comer, e sim, jejuar, deitando-se sobre seu alimento, coisa naturalmente improvável para animais saudáveis.

Do começo...
Os atenienses acreditavam que uma praga se abatera sobre a população por conta da ira de um deus indignado com as aberrações morais e violências cometidas por seu governador.

O hobby ateniense era colecionar deuses, nacionais e importados de diversos países, e a todos estes deuses foi feita a devida oferta, o sacrifício correto ao deus correto.

A praga continuou.

Por conta disso, o sábio Epimênedes foi convocado, e foi quando teve a idéia, por conta do seguinte raciocínio:
Seria possível que, entre tantos deuses, ainda existisse um deus que não houvesse seu altar erigido na cidade, e que se isso fosse possível, ele seria poderoso o suficiente para mostrar-se, se quisesse ajudar na solução daquela situação de como sacrificar a Ele e apaziguar sua ira.

Por isso, deu ordens que as ovelhas ficasse famintas, e que se, esse deus existisse, que elas, ao serem liberadas no pasto, não comessem, servindo isso como sinal. Diante do povo, as ovelhas foram liberadas, e ao invés de comer, foram deitando-se, no total de doze ovelhas, e no local onde deitaram, foram sacrificadas, erigindo-se em cada lugar de sacrifício, altares.

Ao perguntar qual nome deveriam colocar no altar, o sábio deduziu que, se a divindade aceitou sua confissão de ignorância, não deviam agora passar por sábios, tentando saber o nome ou aparencia, e naqueles altares, por decisão consensual definiu-se:

 “Agnosto Theo”, ou, em português “Ao Deus Desconhecido”.

Séculos se passaram, e talvez, sem que soubesse da história, um tal Paulo de Tarso, na mesma Atenas idolatra, aponta para um daqueles altares remanescentes e diz:

“É sobre este Deus desconhecido, que vós honrais sem o conhecer, é o que vos anuncio.”(Atos 23:27b).

Nós, muitas vezes, acreditamos que Cristo é um Deus corporativista, que milita apenas no nosso “mundinho”, assim como os apóstolos da igreja primitiva, que se contentavam em ficar em Jerusalém.

Como neste relato - e muitos outros pela História de diversos povos – Ele deixou seus sinais, aguardando que seus discípulos os decifrem para os povos, cumprindo o IDE.

Baseada no livro “O Fator Melquisedeque”


deuses gregos
Nem 1000 vezes esses seria capaz de mudar a vontade do Deus desconhecido