17 de outubro de 2009

A Decepção de Raimundo


Alguns nomes aqui foram alterados, outros, talvez, não.
Foi no sábado que o tal pastor-missionário-itinerante informou que retornaria na 2ª feira e oraria por mais enfermos.

Embora a oração efetuada para cura naquele dia chegou a beira de ser cômica (numa "entrevista" pós-intercessão com um senhor que tinha - e continuou com - problemas na vista não ter sido considerada um fracasso por ele não saber ler e portanto, justificou-se quando disse que não tinha melhorado muuuuuuuuito), frisou que trouxessem cadeirantes para que fossem curados.
Alguns irmãos crédulos trouxeram: um.
Triunfante, Raimundo pediu oportunidade para falar a igreja e ao microfone declarou:
- Creio que este homem sairá andando daqui, levando sua cadeira nas mãos! Eu declaro! - gritava o irmão que trouxe o rapaz da cadeira
- Améééééémmm! - gritaram os irmãos, quase empolgados.

A liturgia transcorreu dentro dos conformes: Prolongada oração de abertura, as mesmas canções sobre promessas, bençãos, vitória, prolongadas ministrações sobre o bendito dízimo, outra oração, breve dissertação confusa sobre um trecho do velho testamento onde houve cura, e então o grande momento: AS CURAS!
Todos olhares se concentravam na intercessão em prol do cadeirante, que após vários minutos de clamor, continuou cadeirante.
Raimundo, o novo convertido, envergonhado, empurrou o amigo de volta para casa.
Certa vez perguntaram ao pastor Kivitz sobre a oração eficaz, feita pela TV, quando a pessoa toma um copo d'água "orado" após a mesma, e o milagre acontecia. Como explicar o milagre?

- Milagre não se explica - disse o pastor. Quero ver você explicar quando o milagre NÃO acontece: chega para pessoa que não recebeu a cura, por exemplo, e explica para ela as intenções de Deus em NÃO querer abençoa-lo.

Talvez possa solucionar a questão, através de um dialogo que presenciei a alguns anos. Um irmão "de fogo" chegou para o sóbrio Pastor Cássio, com aquele jeito tipicamente "penteca". Apontando para uma bela valise de couro que o pastor trazia a tiracolo quando vinha para igreja direto da industria onde trabalha. Disse:
- O Senhor me disse que o pastor vai me dar esta valise!
- Então eu vou esperar, por que a mim Ele ainda não disse nada...

Se o Senhor notifica quem receberá, não pode deixar de avisar para aquele que entrega (detalhe: o prazer em receber tem que ser igual naquele vai doar).
Se Deus tivesse realmente dito que faria o milagre, o milagre teria acontecido, e o tal "profeta" não teria dado o vexame de mostrar um deus-furão-decepcionador.

Esse tipo de deus é aquele no qual o profeta Elias caçoava:
- Clama mais alto que esse Baal aí deve estar dormindo...

Zé Luís

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