29 de dezembro de 2009

Briga de Crente: Algumas Consequências

Zé Luís


Acompanhando estudo de Pr. Kivitz sobre o livro de Atos dos Apóstolos(os de verdade), aproveitei para reler sobre a amizade de Paulo e Barnabé. Como um verdadeiro "C.S.I.", ele exuma a História, numa linha contínua, o que foi esta convivência, dando contextos e situações.

Barnabé já aparece antes, nos Evangelhos, fora da convivência dos doze apóstolos, mas ligado diretamente ao lugar onde a última ceia de Jesus foi celebrada. Ali, certo garoto, João Marcos, seu sobrinho, é citado e horas mais tarde, se registra o mesmo correndo nu pelo Monte das Oliveiras, quando tentaram prendê-lo por seguir o recém encarcerado Messias.

Naquele momento, nem se imaginava que o Cristo se deixaria crucificar, ressuscitaria e ascenderia aos céus. Será que Tiago desconfiou que seria decapitado antes mesmo de começar seu ministério? O que pensou o martirizado Estevão, que após sua bela explanação, ganha uma chuva de pedras? Isso tudo diante de certo fariseu, que consentiu naquele assassinato, e que tempos depois, se converteria à fé que perseguia, e junto a Barnabé, começa suas longas viagens missionárias, repletas de conversões, conflitos, surras, perseguições, prisões e tentativas de assassinato.

Foi exatamente numa destas viagens que o ainda moço João Marcos, sobrinho de Barnabé, não agüentou a árdua rotina e desistiu de acompanhá-los. Isto soou para nosso recém apóstolo Paulo de Tarso como desdém com a obra de Deus. Quando Barnabé, companheiro de tantas jornadas resolveu trazer seu sobrinho para mais uma viagem, Paulo não aceitou.

Foi aí que "o pau quebrou na casa de Noca". Consta nas Escrituras que a briga foi realmente feroz. Coisa que muitos pastores por aí gritariam: "Tá amarrado! Tá amarrado!".

Os dois crentes brigaram tão feio que ali, Barnabé encerrou suas viagens, voltando para sua casa, para não aparecer mais nas escrituras. Paulo continua seu ministério, agora com Silas. Mas Barnabé desiste de trabalhar na Obra. Anos mais tarde, quando preso, solicitou a presença do sobrinho de Barnabé, pois naquele momento, dizia ser de grande valia. Opiniões mudam. Este João Marcos é o autor de um dos Quatro Evangelhos. O Evangelho de São Marcos.

Paulo não conseguiu apagar a chama de quem, um dia ficou cansado, correu pelado de soldado do templo; talvez seja por Marcos não levar a vida mais a sério do que o necessário. Mas neste seu impeto que alavancou o Cristianismo pelo mundo, Paulo magoou um amigo e companheiro de várias viagens, a ponto de faze-lo desistir do Reino.

Estes tropeções que nós, seres humanos precários, damos com frequência vergonhosa, não devem ser varridos para debaixo do tapete. Devem ser expostos, contados em almoços de natal, comentados em rodas de amigos. Não devemos imaginar que a proximidade com Deus nos fará perfeitos. Essa necessidade de perfeição é uma herança que temos de nossa queda, quando uma serpente propôs quebrar as regras em troca de ser perfeito, como Deus.

Quanto mais repetimos a nossos ouvintes que estas falhas(e muitas outras) estão fora de nossa existência, mais soamos, no mínimo, superficiais, parciais, mentirosos, como personagens de um conto inóquo, que com o tempo passamos a não dar atenção.