2 de janeiro de 2010

Amor Sincero entre Irmãos


Zé Luís

O Natal deste ano foi especial. Conseguimos reunir quatro, dos cinco irmãos. Duas delas moram fora do Brasil, uma na Suécia e outra nos Estados Unidos. As outras duas, comprometidas com seu serviço, marido, filhos, não conseguem sincronizar as agendas. E eu, graças a Deus, trabalho muito, além dos pequenos compromissos na Igreja e familia.

A Janaína, minha irmã naturalizada suéca, trouxe um presente para cada irmão. Era uma carta feita com um papel cartão, escrito com caneta prateada, e nele, uma foto embaçada tirada a quase trinta anos atrás. Todos, incluíndo dona Carminha, minha mãe, tiveram seus olhos inundados de lágrimas com o que estava ali.

A história da foto é simples: familia nordestina, morando de aluguel em um "muquifo" de São Bernardo do Campo, em São Paulo. Minha mãe tinha conseguido uma "xereta", uma camêra fotográfica barata, e tentava juntar os filhos para tirar um "rétrato".

Quando conseguiu achar uma forma de juntar-nos, tinha que nos fazer sorrir. Perceba que só uma, a própria Jana, está chorando. Culpa minha: ela não podia ser chamada de feia que isso acontecia. Eu não podia resistir:
- Ô menina prá ser feia...- disse eu.
- Buáááááááá´!!!!!
- Ô "Rúnio"! - gritou a mãe, cearense da gema. - Pare de aperrear a menina, essa maria mijona que só chora...
- Buáááááá...- chorou a Jana novamente.
Daí, foram minhas irmãs que começara a rir. Esta foi a história da foto.

Era uma época que não tinhamos ambições. Brincavamos com os vira-latas, brigavamos constantemente, sou o mais velho, e único homem entre elas. Gostava de fazer porquices quando o quarto onde dormiamos estava com janelas fechadas. Elas odiavam, a Carol, a mais manhosa, chorava e ameaçava chamar meu pai.

Hoje, choram de rir, qunando relembram a cada natal, as mesmas histórias sobre as coisas de criança, ou mesmo quando insisto em tratá-las como as meninas que um dia judiei com provocações infantis.

Se existe um exemplo para um amor sincero entre irmãos, é este. Elas não significam muito para a grande maioria da humanidade, mas são uma preciosidade imsubstituível na minha vida. Sabiamente, a Jana, que já passa dos trinta, resolveu confessar seu amor antes que algum de nós esteja numa tumba.


Nós não temos obrigação de nos amar, nem nos vemos com a imaginada "frequência necessária" para que o amor perdure. Ficamos meses sem nos ver, mas este sentimento persiste. Sempre que nos reencontramos é como tivessemos nos despedido ontem. Nós não nos chamamos por outro nome que não seja os nomes secretos que a intimidade e convivência dá.

Creio que é esse o desejo de Jesus quando nos fez com ele, irmãos, uma grande família que ama uns aos outros, sem interesses, sem esperar reciprocidade, como gente que brigou muito, mas cresceu, e ri das infantilidades passadas, tendo profunda satisfação por estar entre os seus.

2 comentários:

  1. Linda História, Zé Luís, com H maiúsculo mesmo, pois é um retrato da maioria das famílias do Brasil. Que Deus continue protegendo e abençoando vocês todos. Feliz 2010!

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  2. Sabe,
    Há algo que aprendi e preciso relembrar a todo o tempo. Tudo passa, o bom e o ruim, o intenso e o superficial e é esse aspecto efêmero das coisas, que deveríamos colocar em evidência para ressignificar a vida.
    Brigamos muito, disputamos coisas, choramos e rimos de coisas sérias e banais. O tempo nos engole, sem qualquer preocupação, arriscamos brigar com ele, inutilmente, mas a vida continua boa, seguindo em frente, sempre.
    Rever fotos, recontar histórias, é um jeito de reviver a vida e dar a ela novos sentidos, isso é muito bom!
    Te amo, meu irmão! Tenho um enooooorme orgulho de você! Confio no seu talento, na sua sensibilidade e na sua capacidade de tocar corações e almas!
    Beijos,
    Lena

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