22 de janeiro de 2010

Curiosidades Bíblicas que não Poderiam Ser

Zé Luís

Interessante como montamos os contextos sobre pessoas, situações , cenários, e de como isso pode estar equivocado. São verdadeiros mosaicos de associações e memórias que somoms capazes de apostar a alma na certeza de estar correto em nossas deduções.

Só entendi a resistência de Saramago em não querer fazer filmes de seus livros, quando assisti “Ensaio sobre a Cegueira”. Além do filme ser um resumo das partes que o diretor achou mais importante (o que pode variar infinitamente de pessoa para pessoa), os atores geralmente não batem com aquilo que imaginamos durante a leitura.

Talvez por ter no meu “pré-conhecimento bíblico” a influência dos filmes antigos, que mostravam um Cristo caucasiano, de olhos azuis, foi difícil imaginar que ele poderia ter uma aparência física diferente desta. Isaías conta que Nele não havia formosura, os evangelhos relatam que Ele não se destacava pela aparência, sua “beca” não era mais branca que a dos outros: precisou Judas o denunciar com um beijo no meio do grupo para os soldados do templo saberem quem prender.

Falar em Abrãao trazia a imaginação a figura de um solitário peregrino junto a silenciosa esposa, montada em um camêlo, vagando incerto entre dunas e áridos desertos.

Mas...ainda sobre Abraão:
Logo no primeiro livro da bíblia, percebo que estas pré-imagens estão totalmente fora do que se relata ali. Vários indícios mostram um Abrão (ainda com um “a” só) tendo a sua disposição um exército muito bem treinado. Quando seu sobrinho Ló, que foi capturado durante o saque a Sodoma, um pequeno grupo de guerrilheiros liderado por Abraão sai em seu resgate, e destruindo os batalhões inimigos.

O mesmo Ló que possuía tantos bens e funcionários do setor pecuário, que, em comum acordo (Ló e Abrão) separaram-se, na busca de mais espaço para expandir seus negócios, e acalmar o ânimo dos peões que começavam a se degladiar pelos poucos espaços de pasto que lhe sobravam.

Abrão deixa ao sobrinho a escolha do local onde migraria com sua família e empresa. Foi assim que Ló foi parar na urbana Sodoma, descrita “de aparência atraente”(outra imagem distorcida: Sodoma é sempre descrita como lugar obscuro, sinistro, uma Mordor Tolkiniana, habitada por Orcs horrendos. A bíblia a descreve como “verdejante”, um "Ibirapuera" bem cuidado, ideal para quem quer expandir seus negócios e ter lazer para família.

Abraão aceita o que lhe sobra: sua capacidade de usar o que lhe vem a mão– divinamente providenciada – é o verdadeiro dom da prosperidade, mas como consiste mais em trabalho do que em mágica instantânea de um deus da lâmpada de Aladin, não é muito popular entre os que falam sobre ganhos fáceis.

Abrãao sai da mesma terra – Ur – onde viveram os misteriosos Sumerianos, cenário onde Jó relata seu calvário, onde Gilgamesh relata sua epopéia vivenciada a mais de 20.000 anos. Ali, o dilúvio é contado.

Este casal. Abrão e Sarai(ou Abraão e Sara), chegam diante de Faraó com a simplicidade de quem entra num bar para um refrigerante, mas é raro alguém questionar como um casal andarilho chega a presença de um dos mais poderosos chefes de Estado da antiguidade, a ponto de ceder-lhe a própria mulher e irmã - por medo - como concubina (coisa que amaldiçoou Faraó, pois levava para cama a mulher de alguém que Jeová já traçara planos e que, estranhamente, o próprio líder egípcio temia como Deus Verdadeiro).

O misteriosos Melquisedeque, sumo sacerdote do Deus Altíssimo(?)(que diferente das descrições judaicas, não traz a genealogia descrita) surge trazendo o alimento dos soldados a Abraão, no que o patrono dos Judeus o reverencia como tal, oferencendo-lhe ofertas.

Abraão trazia beneficios, não rezas– como poços, alimento e trabalho, abençoando desta forma os povos e lugares por onde passava, e deixava estes para os que ficavam. Esse é o real sentido de ser uma “benção”, fazer de nosso trabalhar, nosso viver, uma fonte de benefícios não só para si mesmo.

Ouvi de uma professora que o problema do brasileiro nem é tanto não saber ler, o problema está na capacidade de entender e analisar o que se absolve numa simples leitura.

Enquanto isso não acontece, prosseguimos na saga indigesta de conhecer gente de má fé, que nos oferece um entendimento parcial, que muitas vezes, tem como principal objetivo, manipular pessoas em benefício próprio. Se você, por alguma razão, não tinha se atentado a estes pequenos detalhes de alguns capítulos da bíblia que leva nos cultos, informo que ela é bem maior, há mais 65 capítulos e muita coisa para se aplicar em nossa vida de forma válida e honesta.