23 de fevereiro de 2010

Deus não é amor

Escultura de Jose Ishmael Fernandez

Zé Luís

Quatro são os amores que as Escrituras revelam: Afeição, Amizade, Eros (Paixão) e Ágape (traduzido como caridade por alguns).

Se você gosta de seu bicho de estimação, o ambiente de descanso, um objeto qualquer, você tem afeição por ele (que não deixa de ser uma espécie de amor).

Se tem um profundo carinho por alguém do mesmo sexo, isto é amizade. Um amor difícil de se aceitar nestes dias, principalmente por ser constantemente confundido com a relação homossexual (vide as explanações "bíblica" sobre o amor entre Davi e Jonathas ou o comportamento de João em relação a Jesus). A amizade e eros e confundem em alguns casos.

Você pode ver Philia (a amizade) rodeando as mesas de bar pelas noites paulistanas sem nenhum comportamento homossexual. Naquelas mesas tudo é confessado e esquecido, assim que os ébrios se despedem da algazarra.

C.S.Lewis cita – em seu livro Quatro Amores – que a Amizade é o amor contido nos anjos: eles olham em direção ao mesmo objetivo, ombro a ombro. Talvez você, crente, não consiga entender de que amor falamos aqui, já que a Amizade é tão rara dentro de algumas comunidades ditas cristãs.

Diferente da Amizade, Eros, a paixão, nome do mítico filho de Afrodite – e conhecido como cúlpido – vem e arrebata. Diferente da amizade, que olha em direção ao mesmo objetivo, a paixão olha nos olhos de seu oposto, muitas vezes, nos fazendo enxergar uma imagem ideal que não está realmente ali. Eros vê através do objeto adorado.

Todos estes amores podem virar verdadeiros demônios em nossas vida. A possessividade de uma mãe afetuosa com sua super-proteção, a paixão cega que nos leva a situações absurdas, o ciúme que nos leva a agredir àquele que tenta se aproximar de nossos amigos, que julgamos ser exclusivos..

Todo esse desiquilíbrio em torno destes amores não podem representar Deus, já que Nele não existe sombra ou mudança.

Sobra-nos perguntar o que é amar o próximo como a si mesmo, e a resposta está no amor chamado Ágape.

Ao pensar em amar a si como Eros, com toda a libido e desejo, só me provoca o riso. Ter amizade comigo mesmo, ou afeição pela minha grande cabeça nordestina é inconcebível (além de ser no mínimo, bisonho).

Mas, começo o dia, me arrasto até o banheiro: saco a escova de dentes, lavo o rosto, passo o pente entre os resistentes e escassos cabelos que me sobraram. Sento-me à mesa e sirvo-me do café fresco, com a medida de açúcar que me apraz.

Dirijo-me ao trabalho, lendo um bom livro pelo trajeto, mas me dou o direito de ouvir um boa música, ou apenas ver o movimento das pessoas pela janela do ônibus.

Cuido de mim, como quem cuida de um bebê: me alimento, mesmo quando não quero, e tomo medicamentos com um gosto horroroso para meu próprio bem estar. Isto é amar a si mesmo.

Esse é o amor que Deus é. O amor que cuida por cuidar, sem um motivo racional que impulsione ou justifique esse comportamento. Esse é o amor que é devido ao próximo. Esse é o amor do Bom Samaritano. Essa é a substância de que Deus é composto, e a mesma que se pode dizer se fazemos ou não parte Nele.

Um comentário:

  1. Glória a Deus! O que muitos evangélicos precisam recordar é que não serão conhecidos por seus grandes templos com inúmeros membros, mega eventos e coisa e tal... muito menos pela fama, unção ou aparência dela ("Ao pensar em amar a si como Eros, com toda a libido e desejo, só me provoca o riso". - Tem muito "conferencista" narcisista que se ama de uma forma praticamente messianica); mas nas simplicidade das palavras de Cristo: "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros". João 13:35. É duro constatar que esse amor está em falta nos meios eclesiasticos, estamos perdendo a essência do Evangelho, urge que voltemos a Deus e que reaprendamos a amar. Você como sempre me surpreendendo. Abração Zé, desculpa a ausência.

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