13 de maio de 2010

O monstro íntimo - a culpa onde ela não existe

Deviantart por Don Paolo

Zé Luís

Sim.

Mato muitos, e não são poucos os que me chamam de maldita. Na verdade, muitos daqueles que busca a morte, procuram-na por não suportar a convivência comigo.

Mas o trágico de várias destas histórias é que muitos julgam me possuir sem que eu esteja neles.

Muitos sentem a dor que eu causo apenas por terem seu senso de justiça comprometido com as desgraças que esse mundo traz. Sim: ele, este mundo, jaz no maligno (outra verdade absoluta) e o senso de justiça humano é totalmente precário, com critérios parciais e muitas vezes, mesquinhos. Todas as vidas deveriam ser interdidatas pela defesa civil: a qualquer momento, de um minuto para outro podem desabar. É nessa hora que essa multidão me procura:

Buscam minhas respostas em seus atos para tamanha tragédia que os abateu. Querem que eu diga: Foi tal crença, tal ato, tal atitude, tal palavra em alguém a causa da ira dos deuses.

Não estou em tudo, embora muitos tentem me plantar em seu próximo para que eu não os atormente, tentando se convencer que não eu não existo neles. Adão disse que o Criador era o culpado, por ter-lhe dado a mulher. A mulher disse que eu estava na serpente. Só Deus tinha o senso justo e exato para me enxergar em cada ser, e recompensou cada um, segundo a medida justa por ter me visto.

Na minha longa jornada entre os homens, vi muitos me sentirem mais dolorosamente até quando julgavam estar errados por conservarem em si o desejo de viver, quando não havia mais nenhum motivo ou lógica aparente. Quantos soldados se questionam ao voltarem da guerra, enquanto os outros, melhores que ele, ficaram?

O mais irônico desta pequena reflexão é que não existem advogados que me absolvam da consciência humana, ou mesmo psicólogos que me removam – eles podem me explicar, ou mesmo justificar para um paciente a minha presença ali - mas uma pequena “fábula” é capaz de me dissolver. Uma história sobre cruz e sangue.

Como já disse antes: não sou humana. Por isso, deixar de existir em uma vida, ou ser carrasca soberana eternamente em outra não me faz feliz nem triste. Sou apenas ferramenta. Ferramenta poderosa, terrível e implacável. E ninguém está livre da minha influência. A não ser a cruz... a cruz e o sangue...

A Culpa é quem assina