4 de agosto de 2010

Crente pode fumar? Pode beber?

por Zé Luís

Ed Renê Kivitz costuma dizer que, quem tem que pedir permissão para fazer tudo é criança, e portanto, inicialmente, não tem maturidade para compreender e não pode nada.

De antemão, claro: fumar ou beber não é pecado. Dizem os pastores, em um chavão muito conhecido que “fumar não manda ninguém para o inferno, mas deixa o fumante com o cheiro dos que lá estão.”

Eu, apesar de ter abandonado o tabagismo a quase 15 anos, assim como me abstenho de qualquer tipo de bebida alcoólica no mesmo período, não nutro nenhuma repulsa contra essas coisas. Creio que isso poderia confundir-me em relação a coisas e pessoas. As pessoas não são más por que bebem ou fumam, isso não é critério para análise, embora saiba que esse hábito não as “qualifique” como crentes evangélicas,o que pode também ser uma vantagem...risos.(vale a pena lembrar que o hábito de beber em algumas denominações cristãs evangélicas é perfeitamente normal, como os presbiterianos, por exemplo).

Lembro-me da história de um moço da igreja, já falecido. Contam que ele era meio estabanado nas suas explanações sobre o poder de Deus na vida do homem, deixando sorrisos na boca de quem as reconta.

Certa vez, um rapaz do serviço dele começou a caçoar, dizendo que ele, por ser crente, não podia fazer nada, e tirando um maço de cigarros do bolso, desafiou-o: “Você pode acender um cigarro desses e fumar tranquilamente como eu?”. Ele pegou o cigarro nas mãos, e após breves momentos olhando a fumaça dançar diante do rosto, pediu o maço ao colega. Ao pegá-lo, o Fábio disse: “Eu posso sim, fumar se quisesse, e você? Pode fazer isso?”

Dizendo isso, jogou o maço ao chão e o esmigalhou com o pé, pulando sobre o que sobrara dos cigarros, despertando a ira do colega. Ele olhou tranquilo para o fumante e completou:
“Viu quem é o escravo? Eu posso ficar sem também, mas você não. Tem que manter esse produto constantemente em seu corpo, e ficar sem te deixa nesse estado...Quem não pode nada é você!”

Creio que essa é a essência: Não que um crente não possa fazer nada. Paulo dizia que podemos qualquer coisa (embora nem tudo convenha ao estilo de vida que adotamos quando nos declaramos cristãos). Deixei de fumar quando gostava demais do hábito, de um dia para o outro. Segundo o que estava sendo pregado, podia abandonar qualquer vício, e fiz questão de testar o poder libertador do Mestre. Êxito Dele e Nele.

Sei que posso voltar a beber, fumar e cometer muitos erros contra eu mesmo. Mas desfruto das regalias de não sentir as dores de quem abdica de algo que preenchia as lacunas da alegria que me faltava, e mesmo assim, a alegria não te abandona.

Isso é liberdade.

Como o Mestre prometeu: se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. A porta fica escancarada, e se pode passar por ela, ficar ou sair, e ninguém mais é capaz de fechá-la: nem morte, nem vida, nem anjos ou principados, nem coisas do presente ou do porvir, nem poderes, nem alturas ou mesmo profundidade, ou qualquer outra criatura. Nada.