3 de agosto de 2010

Sobre conhecimento e redenção

Zé Luís

Concordo com Paulo quando ele recomenda que não nos abstenhamos de nenhum conhecimento, mas quais critérios usarmos para absolver o que vai de bom naquelas informações todas?

Alguns defendem que o gabarito a ser confrontado está no conhecimento das Escrituras, mas o próprio Paulo informa que os povos não judeus, a quem não foram dadas as Leis, tem em suas almas a consciência de certo ou errado, ou seja: a Lei que define o que é certo ou errado foi escrita nas tabuas da consciência humana.

Isso condena a todos, e estar consciente disto se faz gradativamente, como se percebe no episódio do apedrejamento da adúltera: Ao serem confrontados com a questão dada pelo Mestre – quem nunca pecou que atire a primeira pedra – os que traziam pedras para execução foram largando, um a um, começando pelos mais velhos, no qual o tempo já mostrara o quanto é inútil tentar ser sempre moralmente correto.

Creio que, na turba que se formara contra a pecadora pega em flagrante delito não havia nenhum grande teólogo que pudesse explicar àqueles populares do que se tratava os pecados cometidos. Mesmo assim, cada um dos que estavam ali presentes, recuou. Sabiam o que eram.

O conhecimento não nos isenta da primordial dívida moral e ética que temos com o Criador, embora o excesso de absorção do fruto do conhecimento do bem e do mal nos dê esta sensação agradável de estarmos em um confortável e suficiente universo pessoal ( e por sermos capazes de gerar nossos próprios “universos”, onde dizemos isso é bom, isso não é, começamos a crer que somos realmente deuses).

A única coisa que ainda nos faz recuar diante do que retemos em nossa mente – muitas vezes desconsiderando o conselho de Paulo, retendo toda a espécie do que sabemos ser lixo – é a questão dada pelo Cristo:

“Só condene se você estiver livre de ser condenado. Mas saiba que Eu – Jesus – que estou apto a condenar, não a condeno. Ao contrário: te dou redenção...”

O próprio Deus, sendo o Messias encarnado, poderia ter dito:”Matem essa adúltera! O que será de seu marido traído e humilhado? Que queime no inferno! Que sofra eternamente dores por ser fraca e vil!”

“Vai, e não peques mais...” disse ele, sem enrolações, sem pretensões de arrebanhar multidões com exemplos duros de aprendizado, numa decisão inusitada, com uma autoridade de um professor que desfaz uma confusão entre crianças brigonas no recreio.

Em nosso íntimo, crendo ou não, estamos conscientes de nossa dívida. Apesar de nos abstermos, dizendo que não somos maus cidadãos, quando diante de Deus, nos encolheremos, aguardando as pedradas, e quem sabe, receber absolvição.

Um comentário:

  1. Ontem perdi a paciência com Deus.
    A pessoa por qual estou orando pra Ele ter misericórdia parece não querer sair do pecado.
    Então eu orei: DEUS FAÇA JUSTIÇA! DESMASCARA A PESSOA! CHEGA! NÃO AGUENTO MAIS VER A PESSOA BRINCAR COM O PECADO."

    Ai...eu querendo ser Deus.
    Achando que estava certa.
    Ai...o meu Eu.

    E fui para o culto de oração. Lá uma irmã disse para toda a igreja:
    Pare de julgar. Olhe pra Deus!
    Veio como uma facada no meu Eu.
    Pedi perdão. Pedi misericórdia pra mim e pra a pessoa que está em pecado e que lá estava chorando aos pés de Jesus.
    Ai...o meu Eu.
    Naquele momento o pecado era o mesmo. O meu e o da pessoa. Pecado é pecado.

    Agora encontro aqui esse post abençoador e revelador.
    Obrigada.
    Que Deus continue a lhe usar sempre!!!

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