22 de novembro de 2010

O sexto sentido e a ajuda bilateral

por Zé Luís

Sabe o que é spoiler? É aquela informação que revela trechos daquele filme – livro – história antes que você o veja, do tipo “O mocinho morre no final!”.

A reflexão abaixo revela o fim do filme que dá título a reflexão.


“I see dead people...all the time”

Assim, o segredo do estranho garoto é revelado ao atencioso médico, que durante toda a história procura auxiliá-lo, enquanto vive os conflitos de um casamento arrasado pela aparente indiferença da bela e triste esposa.

Ele busca solucionar o problema de seu paciente, mas está cético diante do que ele descrevia: era um cientista, não acreditava na fantasiosa vida pós morte nem nas visões de gente morta trazendo recados do além.

No fim, o garoto sorri, “curado” pela terapia do médico, e olha para ele sabendo que a missão está cumprida, embora o homem não entenda do que o menino está falando. Não se veriam mais.

É quando descobre que ele mesmo era um dos que morreram, e o tempo todo o auxilio que dava era devolvido para si mesmo, preparando-o para uma verdade terrível. Fora assassinado por um ex-paciente, alguém que sofria da mesma “doença” do garoto a quem ajudara, e pode então perceber quanta dor foi evitada, já que sabia o que o menino poderia ter se tornado.

Percebe que sua esposa sofre por amá-lo. Não há indiferença, há saudade. Ele compreende o tão contundente silêncio, compreende que não era desprezo, eram lágrimas de um luto.

Quem dera nossos”escolhidos”, os que abraçam o evangelho e são reconhecidos por isso, pudessem perceber que o estamos sempre aprendendo um com os outros. Chama-se essa convivência de ajuda mútua de igreja.

A pessoa que aceita ser apenas arrimo, conselheiro, ajudador, começará a médio prazo imaginar que não pode ser ajudado, que está acima da possibilidade de ser consolado: “isso é para as ovelhas simples” pensa em seu íntimo, enquanto morre de solidão, aos poucos, aos pedaços, escondendo suas feridas cada vez mais doloridas, e com muita sorte, não se tornará um cínico, ou hipócrita.

Quem dera crêr que os homens de Deus, antes de ser de Deus, são homens. Quem dera parassem eles de pensar que a “propaganda é a alma do negócio”, que o onipotente ser espiritual que vai na figura atrás do púlpito, triunfante, brilhante orador e imbatível é tão falho quanto qualquer homem.

Quantos sinceros crentes se abalam e desistem quando descobrem que seus exemplos não passam de uma farsa impossível de existir.

Perceber que o garoto a quem o finado médico tanto auxilia traz nele a mensagem que o curará, e que revalará nele sua verdadeira fraqueza oculta, e ser curado ao reconhecer

Creio que a onisciência divina é capaz disso, que o mais simples é capaz de abençoar o mais rico abençoador, pois nele repousa o mesmo Espírito.