3 de agosto de 2011

Fetos conversam sobre religião


No ventre de uma gestante, dois bebês conversam. Um é crente e o outro, ateu.

Bebê Ateu: Você acredita na vida após o nascimento?

Bebê Crente: Claro que sim. Tudo aponta para uma existência de vida após o nascimento. Nós estamos aqui para crescer fortes o suficiente e nos preparar para o que nos espera depois.

Bebê Ateu: Bobagem! Não pode haver vida após o nascimento! Você pode imaginar como seria essa vida?

Bebê Crente: Não. O que há aqui são resquícios do que pode ser depois, mas acredito que exista mais luz, e talvez possamos caminhar e se alimentar de outro jeito... quem sabe um cordão umbilical eterno?

Bebê Ateu: Besteira! É impossível andarmos... e nos alimentarmos fora daqui?  Ridículo! Nós temos o cordão umbilical que nos alimenta. Eu só quero mostrar isso para você: a vida após o nascimento não pode existir, porque a nossa vida além do cordão é uma fantasia absurda.

Bebê Crente: Creio que sim. Sinto necessidades em mim que não podem ser preenchidas por este mundo. Tudo em mim parece aguardar uma continuidade. Você não sente isso?

Bebê Ateu: Mas não há ninguém que tenha voltado de lá! A vida simplesmente acaba com o nascimento. E, francamente, a vida é apenas um grande sofrimento no escuro: isso é fato, sem muletas que possam me fazer imaginar um mundo maior que isso. Isso, na verdade, é uma fuga da realidade...

Bebê Crente: Algo em mim grita que não. Sinto que temos uma mãe, que mesmo agora, cuida de nós, apesar de não conseguirmos vê-la. Todo esse ambiente... não! Esse útero não apareceu aqui por obra do acaso!

Bebê Ateu: Mãe? Você acha que tem uma mãe? Então, onde ela está?

Bebê Crente: Ela está em toda parte à nossa volta, e nós estamos nela! Nós nos movemos por causa dela e graças a ela, nós vivemos! Sem ela, nós não existiríamos .

Bebê Ateu: Bobagem! Eu nunca vi uma mãe; portanto, não existe nenhuma.

Bebê Crente: Não posso concordar com você. Na verdade, às vezes, quando tudo se acalma, nós podemos ouvi-la cantar e sentir como acaricia o nosso mundo. Eu acredito fortemente que a nossa vida real começará somente após o nascimento. Eu creio!

O bebê ateu sorri intimamente, debochando do crédulo irmãozinho que se ampara em absurdos fantasiosos para dar sentido a sua vida.

Vi no Alpiqueiro
(Verdade, dei uma mexidinha)