31 de outubro de 2011

Portadores de DPL - Depressão Pós Livro


 Eu não sabia o que estava sentindo quando terminei de ler essa semana "O Amor nos Tempos do Cólera" de Gabriel Garcia Marquez. Senti algo semelhante quando terminei "Cem anos de Solidão", do mesmo autor. Acabei recomendando no Twitter, e outro leitor acabou comentando "Parei de ler o livro pouco antes do final, não quero terminar...". 

O Grande Abismo, Ensaio sobre a Cegueira, O Lobo das estepes, As Crônicas de Narnia, Perfume, Memória Póstumas de Bras Cubas, Crime e Castigo, Os Irmãos Karamazov, e tantos outros, sempre causando o mesmo efeito estranho quando a últia página é concluída(que bom que meus livros não se chateiam por eu ter cometido a injustiça de não citá-los quando jurei que não os esqueceria. Não sou volúvel, minha memória falha).

Foi passeando entre os leitores que tenho privilégio de ter aqui no blog (gente da mais alta capacidade intelectual) que achei, do outro lado do Continente, no Imensa Vida da lusitana Renata Marques:

 Dia desses descobri o nome do mal que me aflige, sim, sou portadora da "Depressão pós-livro" ou DPL para os íntimos. É incurável, mas consigo conviver bem com ela procurando aliviar seus sintomas, e isso só acontece quando encontro outro livro suficientemente bom para cativar minha atenção por completo. Nos envolvemos com os personagens, imaginamos seus rostos, sentimos suas alegrias e dores, e de repente, num virar de páginas, eles se vão, e custa acreditar que acabou ali, naquela página tão vulgar, idêntica a tantas outras que viramos sem grandes preocupações, um relacionamento ambivalente, simultaneamente positivo e negativo. É extenuante ler! Mas como resistir abrir novas páginas, conhecer países distantes, lugares que só existem na imaginação, novos mundos, conhecer pessoas do passado ou mesmo do futuro, rir e chorar com os personagens, morder os lábios de apreensão, respirar aliviado quando as coisas se acalmam, me digam, como resistir?! Ler traz uma série de experiências, uma relação única entre letras e leitor que conjugados formam uma parceria que deixa um vazio quando termina, e é sempre assim, de capa a capa. E nesse estado em que me encontro, em DPL, começo a olhar para os lados à procura de novas histórias. Sugestões?

Um grande problema da DPL é que nem sempre o remédio que me serve, a curaria. Por isso, a pergunta de Renata continua sem resposta.