4 de março de 2012

Insatisfações

por Zé Luís

Existe algo no homem, uma minúscula fresta em sua alma, que cabe um oceano. Chavão ou não, passamos a vida tentando preencher esse espaço, e nessa, engordamos, nos perdemos em nossa sexualidade, seguimos a receita de outro perdido que jura ter acertado, lutamos, trabalhamos, roubamos, enganamos para ter - esquecendo que o que importa pode estar no "ser". O prazer, a gargalhada, o tesão, o apetite saciado, a sensação de vitória, a vantagem sobre os outros... Tudo empurrado para dentro dessa pequena fissura, na esperança de preenche-lo e sentirmos paz.

A tecnologia é a grande resposta:

Somos capazes de construir coisas inimagináveis e alcançar lugares inatingíveis, só para tentar tocar na velha "felicidade", a mesma que nos inundava quando criança, mamãe voltava da rua trazendo uma bala ou lápis de cor, um estado imaginário que nos alivia e momentaneamente prega a peça, quase nos convencendo, que somos capazes de nos sentirmos plenos através das coisas que surgem nessa vida.

Só isso basta para percebermos que procuramos nos preencher com algo que não existe. Pelo menos, não nesse mundo. C.S.Lewis denuncia isso.

Se um alienígena nascesse entre nós, sem saber sua origem, e fosse criado e alimentado como um de nós, certamente seu corpo extra-terreno, em algum ponto de sua existência, sentirá necessidades que não saberá explicar.

Mas a resposta é simples e óbvia: ele não é daqui. Vive aqui, anda entre nós, se alimenta e vive como nós, mas está fadado a sentir falta das coisas de seu mundo distante, que não lembra, mas é sua pátria natal.

Creio que esse alienígena seja você, eu, portadores dessa fenda na alma que só se preenche com as coisas que o Criador dos mundos tem, em uma pátria que não é essa.

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